| info@opais.net
Muito nublado
Luanda
Clique para aceder á Revista
RSS

Missang sabia da preparação do golpe na Guiné –Bissau

A trajectória do golpe de Estadomilitar de 12 Abril, na Guiné-Bissau, estava a ser seguida pela missão técnica militar angolana(Missang), desde a morte do presidente Malam Bacai Sanhã, e não teve qualquer relação com Angola, revelou esta terça-feira, 24,em Luanda,o vice-ministro da Defesa, Salviano Sequeira ‘Kianda’.

N as informações que prestou aos deputados da Assembleia Nacional, sobre a missão militar angolana naquela país, o general Kianda desmentiu, com efeito, as alegaçõesque atribuem a acção golpista à presença de armamento pesado na missãomilitar das FAA,.

O vice-ministro da Defesa esclareceu que tais acusações não têm qualquer fundamento uma vezquea estrutura da Missangcorresponde ao espírito do protoloco de assistência técnica assinadocom as autoridades daquele país a pedido da chefia da forças armadas.

“A acção de formação do pessoal não podia ser feita com paus ou brinquedos. Temos que levar armamento, técnica de combate, e bocas de fogo. Por isso é que existe artilharia, infantaria e a defesa anti-aérea”, esclareceu o governante.

O general Kianda acrescentou que o efectivo angolano actualmente em território guineense é de apenas370 homens, incluindo efectivos da Polícia Nacional “ e não é uma força que vai amedrontar as forças armadas de GuinéBissau” constituídas por 4 mil homens.

Salviano Sequeira disse que as forças da Missang não sairão daquela país sem garantias de segurança dos seus efectivos. “Qualquer força para se retirar tem de ter garantias de segurança. Levámos para lá tropas e técnica desde Janeiro até Março de 2011 e não é em duas ou três semanas ou um mês que vamos retirá-la de lá”, explicou.

O responsável governamental sustentou que uma saída precipitada podia debilitar a missãoficando “sem qualquer disponibilidade combativa. Tem de haver garantias de segurança”.Anunciou que decorrem negociaçõescom a CEDEAO que deverá dar essa garantia, colocando no terreno uma força nolugar das FAA.

O vice-ministro lembrou que o pedido de cooperação militar foi feito a Angola pelo próprio chefe do estado-maior das forças armadas da Guiné-Bissau, general Antonio Indjai, que se deslocou a Luanda em Setembro de 2011 tendo o protocolo sido assinado pelo Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Júnior, na mesma altura. Segundo o vice-ministro da Defesa, a acção dos golpitasdeveuse às antigasclivagens internas entre o poder civil e os militares, que nunca quiseram subordinar-se à autoridade eleita democraticamente.

“AGuinde tem um efectivo de 4 mil homens e a maioria são elementos que vieram da guerrilha sendo poucos que foram incorporados depois. Todos eles estão imbuídos do espírito da guerrilha que não permite a sua subordinação ao poderpolítico”, especificou.

Oprotocolo prevêa formação de pessoal na Guiné-Bissau e em Angola estando neste momento 350 polícias em formação, em escolas angolanas.

 

Missang responde a exigências da UA

A secretária de Estado para as Relações Exteriores de Angola, Exalgina Gamboa, disse esta terça-feira, 24, na Assembleia Nacional, que a missão técnica e militar da Angola na Guiné-Bissau resulta dasresponsabilidades do nosso paísenquanto membro da União Africana (UA).

“ Ao tornar-se membro do Conselho de Paz e Segurança, Angola deve subscrever os engajamentos mencionados no artigo quinto”, disse Exalgina Gamboa.

Dos vários compromissos constantes da carta constitutiva da UA, aresponsável para a cooperação do MIREX destacoua contribuição para a promoção e manutenção da paz e segurança em África; a participação na resolução dos conflitos; a manutenção e consolidação da paz aos níveis regional e continental e o respeito dos princípios constantes da Declaração de Lomé de Julho de 2000 sobre as mudanças anti-constitucionais de governos.

Exalgina Gamboa precisou que, apesar de ser uma obrigação estatutária, a participação de Angola nas operações de paz “deveobedecer a determinados princípios e regras que poderão deferir de acordo com o tipode operação de paz e dos elementos subjectivos do conflito em questão”.

Na qualidade de Estado membro da UA, segundo a governante, a República de Angola deverá contribuir para a resolução pacífica dos diferendos no continente e a sua qualidade de membro do Conselho de paz e segurança impõelhe maiores responsabilidades neste domínio e deve assumir um papel mais activo na resolução dos conflitos.

“Existem três tipos de operações de paz,sendo uma a prevenção de conflitos, e outra, as operações de manutenção de paz e a terceira, operações de consolidação da paz.

Estas últimas são um conjunto de actividades realizadascom vista a estabelecer as fundações da paz e criar condições para que a paz atingida seja duradoura.” A secretária de Estado fez saber que a natureza da intervenção de Angola na Guiné Bissau caracterizase pela reintegração na vida civil dos antigos combatentes, o reforço do Estado de Direito, a formação e reestruturação de forças militares e de manutenção da ordem, o apoio a medidas de protecção dos direitos humanos, através de campanhas, o apoio a medidas de combate ao HIV Sida e outras doenças, e inclui igualmente medidas de assistência técnica para o desenvolvimento da democracia e a promoção de técnicas e actividades viradas para a reconciliação e resolução de conflitos.” Gamboa negou queAngola tivesse apoiado a candidatura individual de um dos concorrentes às presidenciais sob o argumento de que o nosso país “tem acordos de cooperação institucionais, no quadro do processo eleitoral,e não apoios individuais.” Angola está neste momento na presidência do Conselho de Paz e Segurança da UA para um mandato de dois anos.O Conselho de Paz e Segurança da UAé um órgão de tomada de decisão da UA criado em conformidade com o artigo quinto, alínea 2 do Acto Constitutivo, para assegurar a segurança colectiva do continente através da prevenção e gestão e resolução de conflitos.

Entretanto, o parlamento angolanocondenou esta semana o golpe militar ocorrido a 12 de Abril de 2012, na Guiné-Bissaue exigiu a reposição da ordem jurídico-constitucional naquela país.

A posição da Assembleia Nacional consta de uma resolução aprovada, com a abstenção da UNITA, PRS e FNLA.

Os deputados exigiram igualmente a libertação “imediata e incondicional” de todos os responsáveis detidos na sequência do golpe de Estado militar e apoiam as iniciativas do Executivo angolano e da comunidade internacional que visam restabelecer a ordem constitucional, a paz e segurança na Guiné-Bissau.

Venâncio Rodrigues
27 de Abril de 2012
17:21
 
2
 

Comentários

  1. luis bastos
    2012-04-30 16:04:52
    BOA TARDE IRMÃOS ANGOLANOS E AFRICANOS EM GERAL ,EM PLENO SÉCULO XXI AINDA VIVEMOS ESTES PROBLEMAS DE GOLPES DE ESTADO ,É CONVERSANDO QUE AS PESSOAS SE ENTENDEM E O PAÍS MELHORA,FORÇA GUINÉ-BISSAU ANGOLA TORCE PARA VOCÊ
  2. Eurico Moiane
    2012-04-29 21:41:37
    Os militares guineenses deve conhecer bem as suas atribuicoes. O contrario com tantos golpes que ja promoveram esta pais qualquer dia acabara por desaparecer do mapa com resultado das sancoes de isolamento a serem impostas
Nome

E-Mail

Comentário


Enviar Comentário
 

Newsletter



Subscreva tambem a newsletter da Exame

Capas da edição nº 236

 
 
 
Assine OPaís Online