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Guiné Bissau

Presidente recebe mensagem de ouattara

No centro do encontro entre José Eduardo dos Santos e o emissário da CEDEAO, o chefe da diplomacia ivoirense, Duncan Kablan, esteve em abordagem a situação de golpe na Guiné-Bissau, que o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, relaciona com o tráfico de drogas controlado pelos militares golpistas.

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, recebeu esta quinta-feira, em Luanda, uma delegação da Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental, (CEDEAO), que o informou sobre a evolução da situação na Guiné-Bissau.

O chefe da comitiva, ministro ivoirense dos Negócios Estrangeiros, Duncan Kablan, entregou uma missiva do seu Presidente, Alassane Ouattara, actual líder da CEDEAO, cujo conteúdo não foi revelado.

Confirmou, entretanto, que deverão ser enviadas, proximamente, para a Guiné-Bissau um contingente militar da organização regional que substituirá o efectivo angolano que se encontrava naquele país para reestruturar e organizar o exército nacional.

As tropas angolanas, disse Duncan Kablan, “deverão começar a deixar Bissau (…) no próximo fimde-semana”, sendo um dos aspectos contidos na missiva entregue a José Eduardo dos Santos.

O Presidente angolano, asseverou o diplomata, “deu-nos bons conselhos no sentido de se encontrar verdadeiros consensos” para este país da África Ocidental.

“É isto que iremos levar ao Presidente Alassane Ouattara, para que as coisas corram da melhor forma, regressar a paz e o país se desenvolver”, segundo ainda Duncan Kablan.Para além da Guiné-Bissau e da Cote d’Ivoire, integram a CEDEAO o Benin, Burkina-Faso, Cabo-Verde, Gâmbia, Ghana, Guiné-Conakry, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra-Leoa, Togo e a Mauritânia.

Enquanto isso, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, criticou o apoio da Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO) à nomeação de um chefe de Estado de transição na Guiné-Bissau.

“Portugal reafirma, e o tempo dar-nos-á certamente razão, que a permeabilidade a golpes de Estado e a transigência com golpistas não acaba bem”, disse Paulo Portas no final de um encontro, nesta quintafeira de manhã, com o primeiro

ministro deposto no golpe militar de 12 de Abril, Carlos Gomes Júnior, frisando que “Portugal não reconhece autoridades nascidas do golpe de Estado”.

“A própria CEDEAO tem nos seus princípios fundadores a tolerância zero com o golpe de Estado”, prosseguiu. Disse ainda que não vê “uma solução estável para a Guiné-Bissau” sem que as Nações Unidas, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a União Africana e a CEDEAO actuem de forma concertada, adiantando que o ministério está a fazer contactos em Nova Iorque para garantir essa coordenação.

Narcotráfico também motivou golpe

Paulo Portas disse não ter dúvidas de que uma das explicação para o golpe de Estado do mês passado está no narcotráfico: “Todas as informações de que Portugal dispõe apontam claramente para que na origem deste golpe de Estado também está o narcotráfico”.

O primeiro-ministro deposto pelos militares, Carlos Gomes Júnior, reconheceu que o problema do narcotráfico é uma realidade que não pode ser escamoteada e frisou que têm sido feitos esforços para o combater, com apoio das Nações Unidas e da Interpol, já que, admitiu, a Guiné-Bissau “não tem condições” para combater o tráfico de droga.

Carlos Gomes Júnior, que tem vindo a repetir que tenciona regressar ao país logo que possível, disse que continua a fazer parte da solução para a Guiné-Bissau: “Sou o presidente do maior partido da GuinéBissau [PAIGC Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo-Verde], sou o primeiro-ministro eleito”, lembrou.

O primeiro-ministro e o Presidente da República interino, Raimundo Pereira, chegaram quarta-feira última a Lisboa, vindos da capital da Costa do Marfim, Abidjan, para onde tinham sido levados depois dos 15 dias de detenção que se seguiram ao golpe de Estado.

22 de Maio de 2012
11:13
 
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Comentários

  1. Geute88
    2012-05-22 22:00:40
    O discurso de Paulo Portas foi mais um disparate, que vem juntar-se aos inúmeros erros de diplomacia cometidos pela diplomacia angolana, cujo rosto é o sr ministro J. Chikoti. Em países verdadeiramente democráticos (que não é o caso de Angola onde o mesmo presidente governa há 30 anos sem que tenha sido escolhido pelo povo irmão angolano mas pelos seus pares do Comité Central) dizia eu que num país verdadeiramente democrático o senhor Chikoti já teria apanhado com um chicote e a esta hora estaria a engrossar as filas dos centros de empregos de Luanda. O Paulo Portas não tugiu nem mugiu quando Kumba Ialá foi golpeado, quando Veríssimo Seabra foi morto, quando Ansumane Mané foi morto também e nem Tagme Na Way e Nino Vieira foram assassinados. Nunca o ouvi falar quando o Helder Proença, Baciro Dabó (este candidato presidencial com fortes probabilidades de ganhar) e mais 2 jovens foram fuzilados, quando Faustino Imbali e Francisco Fadul foram brutalmente espancados. Ele sabe que circulam em Bissau boatos, sim, boatos (como aquele que o ilustríssimo Sr Embaixador de Angola terá ouvido em Bissau e que motivou a sua disparatada visita ao nosso Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, sorte não ter levado com balázio nos cornos) e ele era na altura líder de um respeitado partido português e mais tarde Ministro da Defesa de Portugal. Agora passa o tempo a fazer figuras tristes correndo à reboque do Chikoti. Adorei ouvir os angolanos dizerem que agora Portugal não é prioridade nas suas políticas de investimento internacional
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