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Vitorino Nhany garante: Os ‘kaenches’ não passarão!

Vitorino Nhany garantiu, entretanto, que a UNITA não permitirá a presença de elementos provocadores, 

também apelidados da “kaenches”.

“Quem está a organizar a manifestação é a UNITA e não haverá “kaenches” nem outros tipos de criminosos a fazer mal aos cidadãos.

A Polícia estará lá para proteger os manifestantes. É responsabilidade da Polícia garantir a segurança dos manifestantes,”disse .

Vitorino Nhany reiterou que será uma manifestação “em prol da paz, da democracia e da realização de eleições livres, justas, transparentes e credíveis”, não havendo motivos para ser inviabilizada pelas autoridades governamentais.

“Há muitas razões para os angolanos manifestarem a sua indignação: o sofrimento, a exclusão, a má qualidade da educação, o desemprego, a corrupção, a falta de água, a falta de luz, as constantes violações da lei pelos órgãos do Estado, etc”, disse Nhany que convidou ainda os desempregados, os desabrigados, desmobilizado das extintas FAPLA, do ELNA ou das FALA, “que deram tudo o que tinham por Angola, e hoje sentem-se abandonados, e querem mudar a situação”.

Segundo o secretário geral da UNITA,”se as eleições não forem transparentes, então a vida dos que sofrem não vai mudar. Isto aconteceu no passado e já não queremos que volte a acontecer este ano. É esta mensagem que os angolanos querem transmitir à Cidade Alta e ao mundo.

Todos os que quiserem juntar a sua voz a esta mensagem de paz e esperança, devem vir à manifestação.”Nhany diz haver muitas pessoas, em Luanda e no resto do país, dispostas a participar da manifestação mas, se a situação não mudar, haverá mais manifestações. Esta é a primeira organizada e assumida pelo maior partido da oposição desde o fim do conflito armadoA propósito, Vitorino Nhany disse que tinha de haver uma primeira vez e que depois desta haverá “tantas quantas forem necessárias para que quem governa, o faça no respeito pela lei, no interesse dos governados e se virmos que o voto não será livre, que a Lei de Imprensa não foi regulamentada, que os partidos não têm acesso igual à imprensa pública nem aos recursos públicos; se virmos que não há transparência na preparação das eleições, e que por isso, há perigo de elas não serem livres nem justas, convocaremos outras manifestações. ”.

Sobre a manifestação deste sábado, o secretário-geral da UNITA diz haver de todos os cantos do país “inúmeras solicitações sobre os pormenores da sua organização,” e aproveitou para detalhar o roteiro que será usado durante a marcha particularizando o caso da capital onde foi escolhido o Largo da Independência, onde terá lugar o acto centra,l com o ponto de concentração na antiga Feira Popular evoluindo ao longo da Avenida Deolinda Rodrigues. Nhany disse ter notificado o governador de Luanda da intenção e “se não disser nada, significa que não há qualquer outra manifestação marcada para o Largo da Independência”.

O dirigente da UNITA disse que em caso de o espaço vier a ser ocupado por uma outra realização, a alternativa será o Largo da Mutamba.

“Nesse caso, teríamos dois pontos de concentração: Largo da Maianga e Largo do Kinaxixi, descendo os manifestantes a Avenida Amílcar Cabral e a Rua da Missão, respectivamente”, precisou Ele esclareceu que o acesso aos pontos de concentração poderá ser feito de carro ou a pé até às áreas de estacionamento próximas para depois se juntarem à festa. “Já informámos ao Comando Geral da Polícia e vamos trabalhar com a Polícia para que tudo corra bem. E tudo vai correr bem. A nossa manifestação será uma festa: a festa da liberdade, do pluralismo e da democracia. A festa da paz democrática”, afirmou.

Anunciou ainda que a manifestação vai começar com um acto “que simboliza a paz, o pluralismo e a democracia. E vai terminar com um outro acto específico, que simboliza o respeito pela Constituição e a lei e, no final do dia, vamos dispersar e voltar para as nossas casas, esperando que quem manda ouça a voz do povo e corrija o que está mal. Esperamos que quem manda, páre de fazer sofrer os angolanos. Páre de desrespeitar a lei, porque ninguém está acima da lei.

Páre de planear e executar fraudes eleitorais”

Esta situação tem de terminar.

O dirigente da UNITA lembrou que o caso da decisão do Conselho Superior da Magistratura Judicial, (o CSMJ) que designou uma advogada e dirigente partidária para presidir a CNE, é uma das razões da manifestacão (em teoria argumento removido quinta-feira, com a saída de Suzana Inglês por decisão do Tribunal Supremo).

“Se violam agora a lei eleitoral assim tão abusivamente, então vão violar também a mesma lei mais tarde, na contagem dos votos; na elaboração das actas; na selecção dos membros das assembleias de voto; etc; Vão violar a integridade dos cadernos eleitorais, vão violar tudo e todos. Afinal, trata-se da mesma lei.

E as pessoas são as mesmas. Quem viola uma vez, viola sempre”, sentenciou.

 

Samakuva satisfeito com Sebastião Martins
O líder da UNITA, Isaías Samakuva, foi recebido pelo ministro angolano do Interior, Sebastião Martins, para fazer uma abordagem sobre as condições de segurança para a manifestação que o maior partido na oposição pretende levar avante este sábado. Esta postura de Samakuva visou acautelar situações anormais já ocorridas durante as últimas manifestações em que supostas milícias violentaram os manifestantes resultando em ferimentos graves a várias pessoas, entre as quais o secretário-geral do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes. No termo do encontro, o líder da UNITA considerou “frutífero e bastante responsável” o encontro mantido com o ministro do Interior. Por sua vez, o titular do Interior, Sebastião Martins, considerou infundadas as informações acerca de excessos da Polícia na repressão de manifestantes pacíficos. “Queremos reafirmar que esta situação não é real, a polícia não se revê em comportamentos desta natureza”, referiu o ministro no termo do referido encontro com o presidente da UNITA. Lembrou o papel reservado às forças policiais enquanto garante da ordem e segurança públicas, sendo esta uma missão a cumprir em qualquer situação. Segundo o ministro, é preciso sempre que as manifestações sejam comunicadas às autoridades e que cumpram com os requisitos que a própria lei determina para a polícia garantir a segurança das pessoas. Contudo, notou que, ao mesmo tempo, a polícia deve dialogar com estas pessoas no sentido de que elas respeitem também o direito daquelas que não se revêem em tais manifestações.
Venâncio Rodrigues
22 de Maio de 2012
11:42
 
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