Personifica um dos mais pacíficos casos de rotação de quadros dentro do Executivo. Deixou o ministério da Defesa para se ocupar de outro, onde se acredita que se venha a sentir como peixe na água: o ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra.
Kundi Payhama é, ele próprio, um respeitado antigo combatente, inscrito na galeria das grandes lendas do nacionalismo angolano.
Aguarda-o um pelouro atolado em inquietações, como ontem ainda as celebrações do 4 de Fevereiro fizeram questão de reavivar: grande parte dos heróis da pátria, os homens que arriscaram as suas vidas na luta pela Independência, são hoje pessoas perdidas na imensidão de anónimos, a quem falta o básico para a sobrevivência. Lamentam eles, lamentam os descendentes, e o certo é que nem o brilho ocasional do aniversário do dia do início da luta armada lhes conforta a alma, mais do que ela, o estômago.
As manifestações junto da sede da Caixa Geral das Forças Armadas, em Luanda, por causa das pensões de reforma que não se pagam a tempo, além do seu próprio valor considerado insuficiente, são estampas que antecipam os tempos não necessariamente serenos que o velho guerreiro conhecido pela sua coragem enfrentará.
Admite-se que Kundi Payhama possa vir a ter muitas saudades dos conflitos localizados próprios de uma entidade de tão grande confluência de interesses como o ministério da Defesa, que em qualquer caso serão sempre menos inquietantes que os ventos ciclónicos e sem direcção certa que sopram das trincheiras dos homens e mulheres que empunharam as armas para a libertação da pátria.