
Estas eleições, previstas para 31 de Agosto próximo, segundo o Presidente, que discursava na tomada de posse de quatro juízes do Tribunal Constitucional, devem realizar-se “sem perturbações de qualquer espécie”, para que se possa transmitir ao mundo uma imagem de seriedade, capacidade e maturidade.
“O Executivo está disponível para garantir a segurança e a ordem pública e para trabalhar com a Comissão Nacional Eleitoral nos aspectos logísticos do processo eleitoral”, garantiu José Eduardo dos Santos. Disse esperar igualmente que os senhores juízes conselheiros do Tribunal Constitucional “desempenhem com zelo, dedicação e isenção a missão, dando assim também um valioso contributo ao êxito do processo eleitoral”.
Relativamente ao Tribunal Constitucional, criado há apenas quatro anos, José Eduardo dos Santos afirmou que a sua instituição constituiu um momento fundamental na construção de um Estado Democrático de Direito, fundado na dignidade da pessoa humana, na independência nacional, na integridade territorial, na promoção do bem-estar dos cidadãos e na justiça social.
Trata-se de um órgão que conseguiu, nesse breve período, atingir um considerável nível de maturidade e prestígio, desempenhando um importante papel no funcionamento do nosso Estado de Direito, quer pela via da garantia da observância da Constituição em geral, quer através do julgamento de acções de impugnação relativas ao funcionamento dos partidos políticos, nos termos legalmente admitidos, quer ainda pela sua função de assegurar o respeito dos direitos fundamentais dos cidadãos.
“É, pois, indesmentível a sua importância, não apenas pela sua natureza de órgão constitucional ou pela sua qualidade jurisdicional, mas também pelas suas funções no processo de formação dos órgãos constitucionais, pela via do sufrágio universal, directo, secreto e periódico”, sublinhou a propósito.
Na sua óptica, basta apenas recordar que cabe a este tribunal apreciar, em última instância, a regularidade e a validade das eleições, julgando, se necessário, recursos interpostos decorrentes da votação ou apuramento dos votos.
De um modo geral, tem sido inequívoco o empenho dos diferentes órgãos de soberania para assegurar o regular ciclo político previsto na Constituição e que culmina em eleições livres e justas, referiu.
Por essa razão, segundo José Eduardo dos Santos, “acompanhámos o intenso trabalho da Assembleia Nacional na aprovação e ajustamento da legislação indispensável para completar o Pacote Legislativo Eleitoral”.
“Acompanhámos igualmente a actividade dos competentes serviços da Administração do Estado no processo de registo eleitoral dos cidadãos e na actualização dos dados, de acordo com a legislação vigente”, enfatizou .
Continuando o seu discurso, José Eduardo dos Santos asseverou que “promovemos a audição da Comissão Nacional Eleitoral em relação às condições para a realização das eleições e a consulta do Conselho da República, que recomendou a realização das mesmas a 31 de Agosto de 2012”.
O Presidente disse que nos termos da competência que a Constituição lhe confere, convocou as Eleições Gerais para o dia 31 de Agosto de 2012, tornando-se assim irreversível o processo eleitoral e inequívoco o empenho e o interesse dos poderes instituídos em cumprir e fazer cumprir a Constituição da República de Angola.
Tomaram posse na ocasião os juízes Américo Garcia, Raul Araújo, Caetano de Sousa e Maria Lopes, numa cerimónia ocorrida no Salão Nobre do Palácio Presidencial, à Cidade Alta.
“Numa cerimónia simples, mas solene, acabámos de conferir posse aos senhores juízes conselheiros, completando assim a composição do Tribunal Constitucional, cujos integrantes passam de sete para onze, de acordo com o estabelecido pela nossa Constituição e pela Lei do Processo do Tribunal Constitucional”, destacou o Chefe de Estado.
Testemunharam o momento o vice-presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos, o presidente da Assembleia Nacional, António Paulo Kassoma, os presidentes dos tribunais Constitucional e Supremo, respectivamente, Rui Ferreira e Cristiano André, entre outras individualidades do poder judicial e do Executivo.
Algumas avenidas de Luanda estão a ganhar jardins, em substituição do betão armado que há pouco foi implantado nessas mesmas ruas. Não há dúvidas que elas estão ganhar uma imagem diferente. Outra beleza, se quisermos.
Mas por detrás dessa beleza há muitas questões que não me deixam sossegado. E talvez a outros cidadãos também. Não entendo os desperdícios financeiros que se fazem com a reabilitação das mesmas avenidas, em períodos curtos de tempo. Esclarecendo. A Avenida Pedro de Castro Van-Duném Loy beneficiou de novo asfalto e construção de passeios não faz muito tempo. De repente, os passeios ou o betão que foi construído está a ser destruído a favor do jardim. Do ponto de vista ambiental é fantástica essa mudança.
Entretanto, a preocupação assenta no facto de se gastar dinheiro com a construção, hoje, de passeios e amanhã substitui-los pelos jardins. Dá uma ideia de não existir um plano directório na cidade de Luanda. E mais do que isso, são dinheiros que iriam beneficiar outras zonas da capital, sobretudo as preferias. O conceito de metrópole que se persegue não deve situar-se só entre a Mutamba e o Talatona. Terá de ser extensivo.
Outra situação que me deixa com um pé atrás em relação aos jardins é a experiência das outras tentativas.
No consulado de Aníbal Rocha, por exemplo, muitas avenidas e largos de Luanda ganharam jardins. Um desses é o “Largo Lenine”, defronte ao Mutu-Ya-Kivela”. Hoje, tornou-se num local para necessidades fisiológicas e o tal jardim deu lugar ao capim seco.
Conclusão: Parece-me que o governo de Luanda não tem capacidade para manter os jardins que vai implantando. A melhor solução seria, na minha opinião, plantar arvores nos largos e proporcionar espaços para lazer. Já se viu que com os actuais jardins não se chega ao paraíso.
E antes de se decidir que haja uma, duas, três opiniões de especialistas.
Especialistas que não estejam apenas interessados nos dividendos que poderão resultar da consultaria. Mas especialistas preocupados com a melhor gestão dos recursos públicos e com o bem estar social da capital.
Estive, esta semana, num ambiente académico onde se colocou um assunto, cuja discussão me parece encerrar um conflito de gerações. Alguém quis saber como se compreende que o país enfrente hoje mais problemas em vários sectores, de âmbito moral ético inclusive, quando já se formaram muitos licenciados em dez anos? Não serão, afinal, tais licenciados o «sal da terra» que se esperava? É uma discussão que já tive com outras pessoas, noutra perspectiva, que se calhar acaba por dar no mesmo. E a pergunta foi colocada quase nos mesmos termos. Que mais-valia traziam para o jornalismo os licenciados em comunicação? Dessa vez, a discussão foi mais alargada. Questionou-se a utilidade de todos os formados. Sem ter qualquer procuração para falar por eles, nem me arvorar tão pouco em defensor da minha dama, gostaria apenas de avançar a minha opinião baseada nas observações que vou fazendo.
À pergunta responde-se com uma dezena de perguntas. E a primeira que se coloca é: que espaço têm os licenciados para influenciarem o curso do país? Tenho a ideia que os licenciados são engolidos pelo costume. Pela força do hábito.
Quando os licenciados são nomeados para este ou aquele sector encontram quase sempre um catecismo, do qual têm de beber, sob pena de verem encurtadas as suas carreiras. Não se trata de disciplina laboral, lealdade, nem sequer solidariedade profissional. Trata-se de um catecismo de hábitos que a sociedade condena. Contrariá-lo é desafiar os catequistas. Logo, os licenciados têm dois caminhos.
Ou seguem o que os catequistas determinam ou abandonam o barco.
Escolher a segunda opção em nome da integridade pode acarretar alguns riscos para quem se inicia na vida.
Baixar a guarda nessas circunstâncias é o melhor que se aconselha.
E se concordam com este ambiente, que acabei de descrever, gostaria de saber como pode o «sal» salgar a terra quando há muita água? Só na presença de muito se sal o país terá outro rumo.
Enquanto isso, prevalece o catecismo, concordando ou não com ele.
2012-05-25 10:36:06
Caro Teixeira, tocou num assunto que está longe de encerrar conflitos de consciência mas pode encerrar conflitos de conveniência, a solução é fazer como o italiano “per me o contro di me” (és por ou contra mim) uma democracia não se constrói em 10 anos e talvez nem em 100, é preciso reformular toda uma cultura educativa e costumes ancestrais,as licenciaturas só por si não fazem de momento diferença significativa para mudar tão rapidamente as coisas, por outro lado a oferta da ambição é por vezes desmedida,razão pela qual os licenciados não se devem sentir culpados por seguirem o caminhos dos “catequistas” mas podem isso sim, fazer uma tomada de consciência social e aplicar as ferramentas adquiridas na faculdade em prol de uma sociedade mais justa mas teremos de dar tempo ao tempo