
Sakineh Mohammadi, é uma mulher iraniana que foi condenada à morte, por apedrejamento, na prisão de Tabriz, na zona Oeste do Irão. O seu crime: ser casada e ter praticado o adultério. Já havia sido “contemplada” com 99 chicotadas por manter uma relação ilícita.
Como tem acontecido noutros casos, o julgamento foi injusto e sem garantias. O advogado de Sakineh pediu o perdão e a Amnistia Internacional a revisão do caso. Se os resultados forem negativos, Sakineh será apedrejada.
O Mundo inteiro precisa de pressionar as autoridades iranianas para que não executem Sakineh e suspendam todas as execuções por lapidação.
Sakineh Mohammadi foi condenada em 15 de Maio de 2006 por ter tido uma “relação ilícita” com dois homens. Posteriormente, foi acusada de “adultério sendo casada” durante o julgamento de um homem acusado de assassinar o seu marido.
Apesar do colectivo de juízes iraniano não ter decidido por unaminidade, Sakineh foi condenada por uma maioria de cinco juízes, tendo a sentença sido confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça em 27 de Maio de 2007. O seu caso foi, então, enviado para a Comissão de Amnistia e Clemência, mas o pedido foi rejeitado.
O apedrejamento até à morte no Irão é prescrito como modo de execução para os condenados de terem cometido o delito de “adultério enquanto casado”. Desde 2002 que, pelo menos, cinco homens e uma mulher foram apedrejados até à morte. Em Janeiro deste ano, o porta-voz do Poder Judiciário, Ali Reza Jamshidi, confirmou que duas execuções por ladipação haviam sido realizadas em Dezembro de 2008.
Pelo menos, outras oito mulheres e três homens estão, actualmente, em risco de apedrejamento até à morte no país dos Ayatollahs.
É lamentável que o Irão continue a usar de falsas promessas (feitas em 2002 e 2008) para a abolição de tão selvática pena de morte .
A ONU, como órgão pacificador, deve levar mais a sério as promessas iranianas. Não é normal que depois dos compromissos assumidos pelo Irão ( mas não cumpridos) se mantenha de braços cruzados.
É urgente insistirmos junto das autoridades iranianas para que não executem Sakineh.É urgente exortarmos essas mesmas autoridades a tomarem uma imediata e eficaz moratória sobre as execuções por apedrejamento e da utilização de outras formas de execução e castigos cruéis e desumanos, incluíndo a flagelação.
Mas, ainda no continente asiático, uma mulher malaia tornou-se na primeira representante do sexo feminino a ser punida na Malásia por beber álcool.
Kartika Shukarno, é um modelo de 32 anos, que foi condenada pela Corte Islâmica a pagar uma multa de 1.400 dólares e a ser punida com seis chibatadas por beber cerveja no bar de um hotel.
Agora, Kartika, que vive em Singapura com o marido e dois filhos, quer que a sua pena seja aplicada em público. A Malásia, que se considera uma nação muçulmana moderada, proíbe o consumo de álcool por muçulmanos – ainda que estejam de visita.
O Ramadão, ora iniciado, é um período de jejum e reflexão para os muçulmanos. Será uma boa altura para todos reflectirem para que casos como os de Sakineh e Kartika não se repitam.
E, enquanto tudo isto acontece, na Libía foi recebido como um herói o monstro de Lockerbie!Abdel Basset al-Megrahi, que supostamente tem menos de três meses de vida (cancro na próstata), foi solto por ordem do ministro escocês da justiça, apesar da forte oposição dos Estados Unidos, que queriam que ele cumprisse a pena até ao final.
Lembro, que a explosão do voo 103 da Pan Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie, na rota Londres-Nova Iorque, matou todas as 259 pessoas a bordo e mais 11 em terra, no dia 21 de Dezembro de 1988.
Contudo, certa comunicação social, ao noticiar o seu regresso a Tripoli, resolveu “assobiar para o lado” e ignorar, pura e simplesmente, os protestos que se fizeram sentir de vários quadrantes.
Pois é, são casos como estes – Sakineh, Kartika e al-Megrahi que nos fazem reflectir que continuamos a viver numa sociedade globalizada, mas hipócrita!“E é assim que as coisas são…” neste mundo-cão!
Quando começavam a levantar a cabeça os países de baixo rendimento foram apanhados por uma crise de que não são responsáveis e contra a qual são impotentes.
Em muitos países de baixo rendimento, os anos anteriores a 2007 foram caracterizados por uma forte recuperação das taxas de crescimento económico e pelo sucesso no combate a problemas de longo prazo como a inflação e o endividamento. Os défices orçamental e da balança corrente iniciaram uma trajectória descendente e as reservas de divisas internacionais subiram para máximos em décadas.
Tudo isto foi obtido através de uma combinação, em doses variáveis, de melhores políticas macroeconómicas, aumento da ajuda ao desenvolvimento, alívio da dívida e condições económicas mais favoráveis, incluindo melhoria dos termos de troca.
Não sou eu que o digo, é o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O elogio ao grupo das nações mais pobres do planeta, a maioria das quais africanas, vem escarrapachado num relatório da instituição denominado “as implicações da crise financeira global nos países de baixo rendimento”. Mas os anos de ouro podem estar à beira do fim e não por culpa destes países.
Segundo o documento, a crise que rebentou nos Estados Unidos, atravessou o Atlântico e o Pacífico contagiando a Europa e o Japão e propagando-se às economias emergentes da Ásia e América Latina ameaça agora atingir de forma “severa” os países de baixo rendimento, apesar de estes não terem contribuído em nada para a situação actual. Apesar dos progressos registados, as nações mais pobres ainda não têm margem de manobra para combater a redução da actividade económica provocada por um coktail composto por quebras simultâneas nas exportações, nas remessas de emigrantes, no investimento directo estrangeiro e, eventualmente, na ajuda pública ao desenvolvimento.
Segundo a teoria económica, quando uma economia está em dificuldades, as autoridades do país devem adoptar uma combinação de políticas monetária e orçamental. No primeiro caso baixando os juros, no segundo aumentando os gastos públicos ou diminuindo os impostos. A ideia é estimular a procura e voltar a colocar a economia nos carris.
É precisamente isso que tem sido feito por vários governos, em particular de países desenvolvidos e economias emergentes. Com o agravamento da crise económica internacional, o mundo assistiu a uma espécie de concurso entre governantes para ver quem era mais Keynesiano e apresentava o maior pacote de investimentos públicos para relançar a economia.
Simultaneamente, as autoridades monetárias iniciaram políticas agressivas de cortes nos juros que em alguns casos estão em valores próximos de zero.
Governos e banqueiros limitamse a cumprir uma regra de ouro da economia segundo a qual as políticas económicas devem ser anti-cíclicas: expansionistas em momentos de
crise, como é o caso, contraccionistas quando a economia vai bem.
Mas nem todos se podem dar ao luxo de adoptar políticas anti-cíclicas.
Confrontados com a desaceleração das suas economias, os governos de alguns países de baixo rendimento, entre os quais Angola, não só não apresentaram um pacote de investimentos públicos como anunciaram mesmo planos de austeridade assentes em cortes nas despesas do Estado. E os bancos centrais em vez de baixarem os juros subiram.
Ou seja contrariando a referida regra de ouro alguns países de baixo rendimento adoptaram políticas orçamentais e monetárias pró-cíclicas, arriscando arrefecer ainda mais as respectivas economias já de si penalizadas pela quebra de actividade devido à crise internacional.
As opções de alguns governos das nações mais pobres em matéria de política económica podem parecer tanto mais estranhas quanto se sabe, como diz o FMI, que as suas reservas estão em máximos de décadas.
Então as reservas acumuladas em tempos de vacas gordas não são para ser gastas em tempos de vacas magras? Infelizmente nem sempre pode ser assim. O problema de alguns países de baixo rendimento é que se utilizassem as reservas acumuladas para ajudar as respectivas economias em esaceleração arriscavam pôr em causa a estabilidade macroeconómica – com agravamento das contas públicas, aumento da inflação e forte desvalorização da moeda – que constitui a prioridades das prioridades dos seus governos.
Resumindo para concluir, quando começavam a levantar a cabeça os países de baixo rendimento são apanhados por uma crise de que não são responsáveis e contra a qual são impotentes. Contrariando os manuais de economia, as nações mais pobres são obrigadas a cortar nos gastos públicos e subir os juros, agravando ainda mais a crise importada dos países ricos.
Esta dupla condição (de negra e mulher) costuma a ser uma dupla desvantagem no mercado de trabalho. Mas no caso da Xerox, que procurava activamente melhorar o seu desempenho em matéria de diversidade dos seus quadros de pessoal, ser mulher e negra constituiu uma dupla vantagem para Ursula Burns ( a primeira mulher negra a ascender ao cargo de CEO de uma grande empresa norte-americana cotada em bolsa).
Esta executiva norteamericana acaba de fazer duplamente história no mundo da alta finança dos Estados Unidos da América (EUA): tornou-se na primeira negra a ascender ao cargo de CEO (do inglês Chief Executive Officer), de uma grande empresa norte-americana cotada em bolsa no caso a Xerox pioneira no fabrico de fotocopiadoras, a ponto de em muitos países a marca ainda ser sinónimo de fotocópia e na primeira mulher a suceder a outra mulher, Anne Mulcahy, como CEO de uma grande empresa norte americana cotada em bolsa. O ineditismo do facto deu honras de capa da Business Week à nova CEO da Xerox. Para muitas mães trabalhadoras é motivador ver Mulchay, 56 anos, dois filhos já crescidos, passar o testemunho a outra mulher, Ursula, 50 anos, uma filha de 16 anos e um enteado de 20, lê-se na prestigiada revista americana especializada em economia.
Da mesma forma, para muitos negros também é motivador ver uma afro-americana, criada por uma mãe solteira, a chegar ao topo, acrescento eu. Percebe-se porquê. Nos EUA as mulheres representam 49,6 por cento da força de trabalho mas apenas 16 por cento dos quadros superiores das empresas. Embora não disponha de números, acredito que para as minorias, incluíndo os afro americanos, o desequilíbrio ainda seja maior. Esta situação não é exclusivo americano. No resto do Mundo a situação é igual ou pior. Nos negócios contam-se “estórias” hilariantes provocadas justamente pelo facto de as pessoas não estarem habituadas a ver mulheres e negros no topo da pirâmide das empresas. As mulheres executivas costumam ser confundidas com as secretárias dos seus pares homens, enquanto os executivos negros passam muitas vezes por motoristas. É preciso fazer alguma coisa para mudar estes estereótipos. Nesta matéria, há os que fazem e os que prometem.
No grupo dos que prometem estão gestores e políticos que, por razões de marketing empresarial ou eleitoral, criticam a fraca representatividade de mulheres e minorias nos altos cargos e depois não mexem um dedo para alterá-la. O grupo dos que fazem, inclui a Xerox, que, segundo a Business Week, desde os finais dos anos 60 prossegue uma política de promoção da diversidade nos seus quadros de pessoal. O resultado desta política é que em cada três quadros superiores da Xerox um é mulher, o dobro da média no mercado de trabalho dos EUA. A própria Ursula beneficiou dessa política quando entrou para a empresa em 1980. E, como disse no início, Ursula além de mulher é negra, é, aliás, a primeira negra a chegar a CEO de uma grande empresa norteamericana cotada em bolsa. Esta dupla condição costuma a ser uma dupla desvantagem no mercado de trabalho. Mas no caso da Xerox, que procurava activamente melhorar o seu desempenho em matéria de diversidade dos seus quadros de pessoal, ser mulher e negra constituíu uma dupla vantagem para Ursula. A aposta na diversidade por parte da Xerox ou de outras organizações não é um acto de caridade. Vários estudos provam que a promoção à diversidade seja de género, seja das minorias, como as étnicas e as culturais, constitui uma mais-valia para as organizações que a adoptam. Daí as políticas de discriminação positiva que cada vez mais empresas estão a seguir. Mas a discriminação positiva deve acabar quando os trabalhadores entram na empresa. A partir daí o que deve contar é o mérito. Antes de chegar ao topo da Xerox, mas já ocupando um posto de destaque na hierarquia, Ursula teve umas frases lapidares: “Acredito que cheguei aqui por mérito através de muito trabalho e elevada perfomance. Será que me deram algumas oportunidades no início da minha carreira devido à minha raça e género? Provavelmente... Eu entrei para uma empresa que procurava activamente diversificar a sua força de trabalho. Por isso imagino que a raça e o género chamaram a atenção dos seus responsáveis pelo meu recrutamento. A partir daí o resto foi por minha própria conta”. É assim mesmo que deve ser.
2010-08-09 16:00:17
E o corno diria: _Com estas pedras construirei o meu castelo