Uma das músicas que melhor retrataram os dramas que a guerra deixou foi
cantada por Nelson Páncio. O jornalista pintou numa trova o que de pior
se pode imaginar para a vida de crianças atiradas ao mundo, sem eira,
sem beira, sem pais, sem ninguém. Contando apenas com as fracas forças
dos seus corpos miúdos para desenvolver trabalho em troca de pão, de
qualquer coisa que acalmasse o estômago, ainda que aquele arroz que
sobrou do jantar de ontem.
Nunca, nos últimos dez anos, se falou tanto de Portugal como agora.
Tal
como à mulher de César, a Portugal também não basta ser diferente da
Grécia, tem que parecê-lo. Os números não deixam dúvidas. O défice e a
dívida portuguesa são inferiores aos gregos e, até agora, não houve
dificuldades de colocação da dívida pública portuguesa.
Há bastante tempo que ando a tentar “digerir” a globalização e, apesar
de pensar muito no tema, de uma coisa tenho a certeza: sempre nos
surpreende e revela novas facetas. É porque a globalização vai muito
mais além da economia ou dos sistemas financeiros e como estes não nos
têm dado nem boas notícias nem transparência, isso não ajuda à sua
cabal compreensão.
A visão estratégica do Presidente face à crise mundial
A crise económica e financeira que se abateu sobre a economia mundial,
a partir de Setembro de 2008, parecia inicialmente circunscrita aos
países mais desenvolvidos, nomeadamente Estados Unidos e Europa, como
consequência de falhas graves nos seus sistemas financeiros.
Posteriormente estendeu-se amplamente à economia real e ao comércio
internacional.
As relações internacionais fora do continente berço
O ano que está prestes a terminar, no domínio das relações
internacionais, teve como epicentro a crise financeira internacional
que afectou todas as economias do mundo.
Ao longo de centenas de milhar de anos a evolução dos animais e das
plantas tem sido determinada pela necessidade de cada espécie melhorar
as suas hipóteses de sobreviver aos seus predadores, de se alimentar e
de se reproduzir, garantindo assim a preservação e a continuidade da
respectiva espécie.
Os trágicos acontecimentos vividos na ilha da Madeira nos últimos dias
não deixam de levantar sérias questões da vida das sociedades. Questões
mais ligadas ao exterior do que ao interior da região que têm a ver com
a integração daquele espaço no contexto mundial.
Uma pobre menina de curtos onze anos de idade, que buscava o saber para
ser útil a Angola no futuro, foi assassinada nas imediações do devoluto
edifício da Angola Telecom, ao largo das Heroínas, na capital do país,
em condições que não foram até agora determinadas.
Desde os tempos de estudante da primária, aprendemos a conhecer os
reinos de Angola e os seus respectivos dignatários, inseridos nos
manuais de história, muitos dos quais tornaram-se célebres pela sua
recusa à dominação estrangeira, pegando em armas.
A Europa vive sob o medo da crise económica que não há meio de acabar.
A Grécia está à beira da falência – sim, os países são como as
empresas, vivem sujeitos à equação “deve e haver”, saídas e entradas, e
quando aquelas são maiores que estas e isso se repete
irremediavelmente, eles têm que fechar as portas como qualquer
mercearia de esquina.
Esta é uma história real, que retrata o sacrifício e a abnegação dos estudantes da diáspora lusófona. Estávamos todos sentados na varanda do Hotel Xaguate, olhando as nuvens que, da ilha do Fogo, corriam a juntar-se às outras que se encastelam sempre sobre a ilha Brava.
O vendedor de fruta fica ali sempre encostado à primeira árvore mesmo à
saída do metro de Ségur, minha paragem diária para o serviço. É de
origem asiática, um misto de indiano e de paquistanês, de estatura
média, relativamente jovem. Todos os dias, chega de boleia, descarrega
cinco ou seis caixas de fruta ao redor da imponente árvore e coloca a
mercadoria frente à gula dos clientes ocasionais
Não é assim que se mata um Presidente da República. Mas na Guiné sempre
se matou assim. Houve sempre marcas de profunda crueldade. Sempre foi
assim. Na Guiné-Bissau de Amílcar Cabral sempre houve vingança, ódio,
medo e traição e mortes trágicas.
Há pouco mais de um ano, em Julho de 2007, o barril de petróleo (158
litros) atingiu o seu preço máximo, 147 dólares. Com os reflexos da
crise global e a quebra da procura chegou a cair para 33 dólares em
Fevereiro deste ano. E desde há alguns dias parece ter estabilizado nos
70 dólares. Com tendência a subir, dizem os especialistas. A OPEC
defende o tecto dos 75 dólares. Esta questão é importante, não apenas
para Angola, mas também para os outros países produtores.
Nos últimos anos, Angola tem clarificado as suas opções no que respeita à Política Externa, tanto ao nível regional, como continental e mundial de forma geral. No ano de 2008, o MPLA propôs uma Agenda Nacional de Consenso que teve um impacto incontornável para a compreensão da Política Externa Nacional.
No seu projecto de estabilizar o Afeganistão, o presidente Barack
Obama, anunciou, recentemente, que os Estados Unidos estavam a
desenvolver uma guerra justa ao combater os talibãs, movimento
fundamentalista, que dirigiu o Afeganistão com mão de ferro entre 1996
e 2001, evocando legitimidade de uma guerra iniciada pelo seu
antecessor, cuja bandeira apregoava, na altura, um combate a um governo
contrário aos seus interesses e que dava guarida aos terroristas
liderados por Bin Laden.
As últimas semanas terão sido de sono bastante intranquilo para uns
poucos concidadãos que de uns anos a esta parte, são tidos, achados e
referenciados em certos círculos, como os “poderosos”, os “da massa”,
os “cachudos”.
Preferi escrever antes de saber o resultado do jogo entre Angola e
Malawi, que aconteceu ontem à noite. Não teria força anímica de o fazer
caso os Palancas nos atirassem com os mesmos petardos do dia 10 de
Janeiro. Quem aguentou o que se passou nesse dia, está em condições de
ultrapassar outras adversidades que a vida lhe brindar.
Quando o avião Boeing 777 da reformulada companhia italiana Alitalia,
que transporta o Papa Bento XVI, aterrar no aeroporto internacional 4
de Fevereiro em Luanda, milhões de angolanos poderão pensar nos três
principais ganhos, na minha opinião, da primeira visita apostólica a
África do Santo Padre, quatro anos depois do Cardeal alemão Joseph
Ratzinger ter sido escolhido como Sumo Pontífice, o líder máximo da
igreja católica.