Os dois afirmam ter nascido com o dom para a música. Silivy e Djeff uniram-se, meio que por acaso, por causa da sua paixão pelos sons. Ambos são DJ’s. Os estilos house e afro beat estão presentes nas músicas que criam. Ainda no primeiro semestre deste ano prometem apresentar o primeiro álbum, intulado Malembe, malembe, onde estarão sucessos como “Tambuleno” e “Noba”.
Apesar de agora já não serem bons bailarinos, os dois afirmam que na infância não faziam senão dançar. “Eu adorava imitar as músicas e o estilo do Michael Jackson”, recorda Djeff, já Silivy afirma: “A minha mãe conta que eu era um exímio bailarino quando mais novo. E agora nem dar dois passos de dança consigo (risos)”.
A vida de DJ surgiu meio por acaso na vida dos dois. Djeff era o mais velho no meio de quatro primos e gostavam de organizar festas no bairro onde viviam, em Lisboa, Portugal. “Por ser o mais velho e também por ter muitas músicas gravadas, era incumbido de tocar”, lembra. Sílvio por sua vez começou a interessar-se mais por música durante o tempo que também viveu em Portugal: “Por curiosidade, eu e uns amigos criámos um grupo de Hip Hop, onde eu fazia de tudo para não cantar (risos). Comecei a comprar CD’s e depois decidi fazer um curso de DJ, confesso que só cheguei até ao meio do mesmo. Só que, com o tempo, comecei a tocar em discotecas angolanas em Portugal, e o resto... já é sabido”.
Há dois anos existe a parceria da dupla. Conheceram-se durante uma das noites do Chill Out, em Luanda. “Eu estava a tocar e o Silivy veio ter comigo e mostrou-me um beat feito por ele. Achei tão interessante que o pedi para deixar-me fazer uma versão daquilo. Depois, combinámos um encontro onde só deu música! Em uma tarde compusemos vários beats. O engraçado é que naquele momento estávamos os dois a trabalhar em projectos individuais. Depois do sucesso da “nossa tarde musical”, acabámos por adiá--los e decidimos fazer um só álbum”, contou Djeff.
A house music é a base musical do seu álbum, porém o afro beat dita as regras. “Gostámos de fazer misturas autênticas, inovadoras e nacionais. Temos origem africana e de algum modo crescemos a ouvir ritmos como o semba, sungura e kilapanda, alguns pouco lembrados na actualidade. Queremos expandi-los por Angola e pelo mundo. Podemos gostar da Beyoncé e outros mas, o que nos faz dançar e sentir é a nossa música tradicional”, disse Silivy.
A música “Tambuleno” é um dos maiores sucessos da dupla. A mesma conta com a participação nos vocais do sembista Mamukueno. “O Sílvio lembrou-se que seria bom termos um vocal tradicional em uma das nossas músicas. Certo dia fomos ter com o Dj Mania e ele mostrou-nos a música do Mamukueno. Fizemos o som “Tambuleno”, em menos de duas horas, de tão extasiados que estávamos com aquele trabalho”, contou Djeff. Porém não foram só flores. O DJ e apresentador do programa Made In Angola, da TV Zimbo, acrescentou ainda que “infelizmente a música apareceu no mercado antes de termos a autorização do Mamukueno, o que fez com que as coisas dessem um pequeno ‘bum’. Mas, felizmente, depois conseguimos resolver a situação”.
Assim como o grupo de Hip Hop Zona 5, o cantor Paul G, a cantora Nádia Pimentel e muitos outros, Djeff e Silivy são agenciados pela Milionários Inc. “Fomos falar com o PCA da Milionários, o Mi Mosquito, com o intuito de conseguirmos afirmar um patrocínio para o lançamento do álbum e ele acabou por convidar-nos para fazer parte da empresa. Temos trabalhado e até agora tem corrido tudo como previsto”, frisou Silivy, acrescentando ainda que “na nossa opinião, o artista deve fazer a sua arte, nesse caso a música e o resto tem de ser feito por outras pessoas, que entendam das funções, para que no final o resultado seja perfeito, ou pelo menos quase perfeito”.
O Chill Out, local onde começou a história da dupla, também foi o espaço escolhido para lançar o single Malembe, malembe, em Dezembro do ano passado. A noite contou com a participação da cantora Irina “ uma das melhores vozes femininas da actualidade”, referiu Silivy, que cantou o tema “No One”, de sua autoria que consta do projecto e teve como momento alto a participação de Mamukueno, que cantou o hit “Tambuleno”, mostrando que todos os supostos problemas foram ultrapassados. “Sentimo-nos abençoados naquela noite. As pessoas que apreciam a nossa carreira e as nossas músicas estiveram presentes e apoiaram-nos. Lembro--me que a chuva que caiu sobre Luanda naquele dia não impediu que as pessoas fossem para lá e comprassem o single, que esgotou logo nas primeiras noites. Foi uma noite cheia de energia”, disse Djeff.
O público pode apreciar o seu trabalho todas as quintas, no Espaço Elinga e os vídeos pelo YouTube.
O álbum está previsto para o primeiro semestre desse ano. A dupla pretende também organizar um show ao vivo, onde contará com a presença de todos os músicos que participaram do disco. “Muitas músicas foram gravadas com instrumentos, e queremos muito fazer um show inovador ao vivo, ainda este ano”, frisou Djeff. Até lá eles prometem continuar a animar as noites luandenses.
Por ser o mais velho e também por ter muitas músicas gravadas, era incumbido de tocar em todas as festas.
Djeff
Silivy
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