A timidez, disse Leila depois de coroada, foi o seu problema no concurso. Um problema interior, com o qual tinha de lidar. “Ficava com aquela dúvida: será que os jurados vão ver que eu tenho alguma coisa com toda a minha timidez?”.
A resposta só podia ser uma:“O meu sorriso contagia as pessoas e mostra a minha personalidade. Sou alegre e consegui mostrar que sou divertida”. Com alegria enfrentou os bastidores do concurso, cumpriu a apertada agenda em São Paulo, e encheu de alegria principalmente dois países do mundo, dois países irmanados pela história e pela língua comum. É que além de Angola, Leila tinha o Brasil consigo, apesar de estar a concorrer também uma brasileira.
No fim, quando no palco estavam as cinco finalistas, o público presente no Credicard Hall dividia-se entre a concorrente brasileira e a angolana. Mas quando a brasileira foi eleita 2º dama de honor, os corações de milhões nos dois lados do oceano Atlântico uniram-se num único batimento. No interior da sala já só se ouvia Angola e Leila. Para o público a coroa estava entregue.
O júri ainda alimentou instantes de suspense, uma eternidade para os angolanos, para os brasileiros e para Leila. Até que se ouviu o “A coroa de Miss Universo 2011 vai para … Angola”. Foi a explosão de alegria, como se o oceano se tivesse estreitado. Pela primeira vez na história do país uma angolana arrebatava o título.
O facto de Leila Lopes ter ganho o título de Miss Universo no Brasil tem um simbolismo muito profundo, muito para além do debate sobre a pertinência e sobre o papel da mulher neste tipo de concursos. Os críticos dizem que os concursos de misses atentam contra a dignidade da mulher, vista apenas no aspecto da beleza, avaliada pelo aspecto exterior. Os críticos dizem também que uma miss não representa a beleza feminina de um país, que num território haverá sempre mulheres mais bonitas ou menos bonitas. Em suma, dizem que a miss representa-se a si mesma, por se ter submetido à avaliação de um júri, sobre a sua beleza física.
Mas é preciso ter em conta o aspecto social e psicológico deste assunto. No caso de Leila Lopes, a sua vitória tem implicações profundas, e se dúvidas houvesse bastaria uma olhada aos sites sociais. Os comentários mostram como os brasileiros se sentiram também justiçados. Num país em que foram aprovadas quotas para que os descendentes de africanos tivessem acesso à universidade, por exemplo, Leila veio desfazer um “embrulho” que os brasileiros carregavam sem saber como se livrar dele. Ao ter ganho o título de Miss Universo, Leila Lopes, numa noite memorável, acabou por reconciliar também a nação brasileira. E disse: “O racismo não me atinge. Os racistas sim devem procurar ajuda, porque não é normal uma pessoa pensar assim no século 21. Qualquer tipo de preconceito não tem fundamento”.
A miss Brasil, Priscila Machado, postou no seu Twitter oficial que ficou feliz com o resultado do concurso. “A Leila mereceu demais! Sempre torci por ela, é uma pessoa abençoada e guerreira. Fiquei tão feliz, como se a vitória fosse minha”, escreveu na tarde desta terça-feira,13. E Bebel Gilberto, que actuou na gala do concurso, desmaiou depois da coroação da angolana Leila Lopes. Disse: “na verdade, eu tinha gostado da representante da Índia, porque ela tinha ensaiado de chinelo, mas a Miss Angola, meu amor... Leila forever. Estava no meu camarim ao lado das meninas e eu vi o estado de nervos. Quando Leila voltou coroada, desmaiei. Ao acordar, estava todo mundo em volta. Olhei para ela e disse ‘Can I touch you?’, mas claro, ela fala português, e me respondeu ‘Claro que sim’ e ficamos abraçadas, chorando”.
Ao contrário dos anos anteriores foi adoptado um Top 16 constituído da seguinte fórmula:
O júri das preliminares escolheu 9 candidatas, entre aquelas que foram melhores nas 3 fases de eliminação.
A organização Miss Universo deu 6 lugares para aquelas candidatas que, consideravelmente se destacaram nos eventos relacionados ao concurso e que foram segundo eles reais opções para serem coroadas como a nova Miss Universo.
A última vaga foi escolhida pelo público mundial através da internet. A classificação não foi acumulativa, sendo que os votos que saiam de cada país foram rastreados e a candidata que tiver ganho mais votos fora de seu país foi a classificada. As 16 semi-finalistas foram para o traje de banho, de onde saíram 10 candidatas. As 10 foram para o traje de gala de onde foram eliminadas mais 5 do concurso. As 5 restantes foram para a pergunta final e a ganhadora foi coroada a Miss Universo 2011
“Dormir bastante e beber muita água”.
É a receita de Leila Lopes para se manter bela, ela que diz nunca ter feito qualquer intervenção cirúrgica. Como quem diz – sou toda natural -. Apelidada de diamante africano, ou diamante negro, a Miss Universo diz também que o belo está em cada pessoa tal como é: “respeitem-se, sejam educados e gostem de si da forma que são”. Leila Lopes tem 25 anos de idade, 1,79m e estuda gestão de empresas no reino Unido. Venceu o concurso entre 89 misses de vários países do mundo e recebeu a coroa das mãos da mexicana Ximena Navarrete.
HIV na mira
Todas as misses têm uma missão, Leila Lopes quer entregar-se na luta contra o HIV-SIDA, além de outras missões. E vão fazê-lo com os olhos no mundo, a partir de Nova Iorque, onde vai residir por um ano, habitando um apartamento na companhia da miss Estados Unidos da América e da miss “adolescente” também americana, mas com menos de 18 anos de idade. Vai ser a partir de Nova Iorque que Leila Lopes desempenhará o seu papel no mundo, com uma agenda que se espera muito cheia.
Os ganhos,
Para além do prémio de Miss Universo, Lelia Lopes poderá amealhar dinheiro com diversos contratos de publicidade e de representação.

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