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Especial

Em memória 
dos que partiram

Para quem assistiu à cerimónia oficial pela televisão, foi possível sentir a emoção dos familiares que no Domingo 11 visitaram o Memorial criado para que o mundo não se esqueça dos nomes das vítimas do maior ataque terrorista da história.

No dia seguinte, um grupo pré seleccionado de jornalistas do mundo todo teve o privilégio de conhecer o espaço antes das portas serem abertas ao público.

O Memorial foi criado pelo arquitecto Michael Arad - um judeu americano, de 42 anos, nascido em Londres, vencedor do Concurso público para a escolha da obra que seria construída no local. Além do responsável pelo projecto, também estiveram presentes o director do Memorial, Joe Daniel e o presidente da Câmara de Nova Iorque (também presidente honorário do espaço), Michael Bloomberg.

PARA TODOS

“Nova-iorquinos, americanos e todos os cidadãos do mundo têm agora um lugar mais bonito e digno para prestar tributo à memória dos 2 977 homens, mulheres e crianças que tragicamente morreram há dez anos atrás”, disse Michael Bloomberg.

O Memorial lembra e homenageia as pessoas que foram mortas nos ataques de 11 de Setembro de 2001 e 13 de Fevereiro de 1993. O design, criado por Michael Arad e Peter Walker, consiste em dois espelhos de água definidos no local onde antes estavam as torres gémeas originais, em torno do qual os nomes das vítimas estão inscritos em bronze.

Para saber de que lado está escrito cada nome, nas piscinas, o espaço conta com um sistema electrónico viável.

UM PAÍS REPRESENTADO

É estritamente proibido atirar coisas paras as fontes que são rodeadas por várias árvores.

No Memorial, tudo foi pensado para prestar alguma homenagem. As árvores, por exemplo, foram cultivadas nas regiões atingidas pelos ataques (Pensilvânia, Nova Iorque e Washington). Uma delas, a survivor tree (árvore sobrevivente) foi a única que restou de todo o complexo do antigo World Trade Center. Retirada dos destroços, foi recuperada e ganhou aqui um lugar de destaque.

O director do Memorial, Joe Daniel, fez questão de demonstrar o seu orgulho por fazer parte do projecto: “Foi uma honra para mim ver os milhares de familiares das vítimas emocionarem-se de alegria ontem, por já terem um lugar onde podem “chorar os seus mortos”, pois muitos corpos não chegaram a ser identificados. Apesar de ser também um lugar triste, creio que o Memorial transmite serenidade e paz, além de prestar o digno tributo aos que partiram de forma trágica”.

AS TORRES DA LIBERDADE

Uma nova obra já está em curso. As torres da Liberdade serão construídas no mesmo espaço onde antes estava o World Trade Center. Serão um total de sete prédios, que em nada vão afectar o design do Museu e do Memorial. A construção de um novo World Trade Center foi recebida com várias críticas, que abrangem desde o design da obra até a mudança de nome. O presidente da câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, afirmou que “A Freedom Tower não vai ser o One World Trade Center, será a Freedom Tower.” Já o conhecido empresário Donald Trump criticou o projecto, afirmando que a obra tinha “um design horrível”.

UM LOCAL DE REFLEXÃO

Tivemos a oportunidade de conversar com alguns familiares das vítimas. Anthoula Katsimatides perdeu o irmão, John. “Não há como não emocionar-me ao entrar aqui. O meu irmão tinha apenas 21 anos quando morreu. O corpo dele nunca foi encontrado. Agora tenho um lugar para visitá-lo”, contou.

Virgínia Bauer, que perdeu o marido, David Bauer, faz parte da Direcção do Memorial: “Em nome de todos os que trabalharam para que este espaço ficasse tão lindo, eu agradeço e dou as boas vindas ao público. Além de servir como tributo aos que faleceram e como lugar sagrado para os familiares, o Memorial serve também para que as pessoas reflictam e acreditem que a paz resolve tudo”.

Pode até soar estranho, mas... 
sei que sou um dos sortudos! 
Eu consegui encontrar o corpo 
do meu filho”. Jim Riches, bombeiro aposentado, em Revista Time.
O Museu e Memorial Nacional do 11 de Setembro, é uma corporação sem fins lucrativos com a missão de arrecadar fundos para mantê-lo sempre operacional.

O Memorial foi aberto oficialmente um dia após a cerimónia do 11 de Setembro, enquanto que o Museu (segunda parte do projecto) será aberto um ano depois, em Setembro de 2012.

No Museu serão expostas imgens feitas durante a fase do resgate das vítimas do World Trade Center, artefactos ligados aos eventos de 11 de Setembro, assim como vídeos onde familiares contam histórias sobre as vítimas.

ABERTO PARA O MUNDO

A fila para visitar o Memorial formou-se muito cedo. Bombeiros vieram homenagear os colegas que morreram e mães levaram flores em memória dos filhos mortos.

Recebidos pelo prefeito de Nova Iorque, os visitantes viram de perto as enormes piscinas construídas nas fundações das torres.

Por estarem a decorrer as obras para a construção dos novos prédios do World Trade Center, são necessários passes para visitar o local. Desde Julho que milhares de pessoas começaram a reservar os seus pelo site do espaço.

Mais de 400 mil passes foram reservados por pessoas dos 50 estados americanos e mais de 70 países.

No primeiro dia de funcionamento o Memorial recebeu cerca de 7 mil visitantes de todo o mundo.

Jandira Miranda,
em Nova Iorque
19 de Setembro de 2011
11:14
 
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