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Zaire

O oásis da dona Belinha no Tomboco

A iniciativa privada dá mostras de vitalidade

Por mera constatação, nota-se o muito trabalho que ainda há a fazer na malha rodoviária do Norte de Angola, nomeadamente aquela que dá acesso à capital da província do Zaire, Mbanza Kongo, antigo centro político-administrativo do reino do Kongo.

Sete anos depois do alcance da paz e após o Governo ter lançado um amplo programa de empreitadas para reabilitação e reparação das estradas de todo o país, nota-se haver uma certa paragem no arranque de esforço na estrada nacional que liga Luanda à província acima referida.

Toda a informação vertida no mapa de Angola onde se faça referência a estradas asfaltadas segundo ali se convenciona, não corresponde à verdade, pois por tudo quanto se viu, está tudo por fazer a começar mesmo pela melhoria das condições de circulação rodoviária, assim como de acomodação e a toma de refeições nesse trajecto.

É visível, entretanto, o esforço de terraplanagem da estrada que já não apresenta asfalto, aguardando-se por melhores dias em relação à circulação e o usufruto de condições de alimentação e descanso.

Neste aspecto particular, realce-se a obra a ser feita por uma mulher empreendedora na comuna de Tomboco, onde, mesmo nas condições de falta de apoio de instituições bancárias, pôde erguer um empreendimento na área de restauração que pode ser considerado um luxo, para o quadro geral de carências de todo o tipo que ali se vive. Ainda sem nome, o seu bar é como que um verdadeiro “oásis” num Tomboco praticamente isolado e desprovido de serviços aceitáveis de restauração e acomodação para servir os viajantes.

Praticando preços módicos para as condições actuais do mercado de alimentação e a boa qualidade das refeições, a sua proprietária, Isabel Ana Gonçalves ou Dona Belinha, aspira por saltos maiores de modo a proporcionar não só condições de alimentação.

Ela tabelou o preço mínimo de um prato em 350 Kwanzas, e manifestou-se disposta a diversificar o serviço.

“Estou a começar o negócio com esforço, próprio, sem apoio bancário, mas vou ampliar isso para passar a acomodar também pessoas que queiram dormir ou apenas descansar”, revelou.

Situado à beira da estrada, o “Oásis da Dona Belinha” ocupa uma área pequena, mas que nem por isso a coibirá de alargar o serviço, tendo projectado já a construção de pelo menos seis quartos na parte traseira do seu jango.

Entre as condições que gostava de ter, ela aponta a energia eléctrica e a água potável para melhorar a qualidade do seu serviço, já que a relativa facilidade de circulação rodoviária lhe permite obter outros meios para a sua actividade.

Encravado no coração da província do Zaire, o Tomboco tem a sorte de contar com um fluxo de meios rodoviários que partem de áreas com importantes recursos piscatórios com Ambriz e Nzeto e pode ainda contar com a produção agrícola da região.

Aqui fica o registo do esforço desta empreendedora benguelense que deixou, há 17 anos, a sua terra natal e se radicou nas terras do Tomboco, dando o seu contributo para o crescimento do país na área da restauração e acomodação.

Eugênio Mateus no Zaire
15:23
 
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O País nº 65

23 de Janeiro de 2009
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