
Nila Borja fez parte da infância de muitas crianças angolanas. A jovem estudante de Engenharia Informática, que actualmente vive nos Estados Unidos, foi responsável por músicas como "Bolinha no Pé", "Missangas Musicais", que fazem parte do seu repertório. Apesar de estar focada no término dos seus estudos, não descarta a possibilidade de um novo álbum. Conversámos com Nila e ficámos a saber um pouco mais dos seus planos.
Como e em que ano começou a sua carreira?
Comecei a dar os primeiros passos da minha carreira logo cedo, e ainda muito nova, em 1990 ou seja com apenas 4 anos de idade. Várias foram as suas músicas que na altura fizeram muito sucesso...
Pode citar algumas?
Ao começar, logo no início de actuação em palco, a miscelânea de músicas infantis de sucesso era o que compunha a primeira canção elaborada pelos coordenadores da Sala-Piô para que eu interpretasse no Festival Especial que havia anualmente dia 1 de Junho. Intitulava-se '' Missangas Musicais". Logo a seguir o "Bolinha no pé'' aos 6 anos, que foi o trampolim para o sucesso naquela altura.
A sua família apoiou o seu sonho de ser cantora? Como foi a sua infância?
A minha família esteve envolvida antes, pois eu já tinha uma irmã a Melly, que fazia parte do elenco e foi chamando as outras a participarem, quando entrei só dançava para músicas de outros cantores, como Maya Cool entre outros... e a Lumena que também ajudava na organização dos espectáculos. Não era um objectivo próprio meu ser cantora, surgiu a oportunidade e por ter sido uma criança super extrovertida e animada, não tive escolha. Viram em mim talento para mais do que simplesmente dançar.
Chegou a lançar algum disco no início da suacarreira? Se sim, que título teve?
Sim, Muhato Ofele. Mulher Pequena, em português.
Em que ano começou o projecto televisivo Nila Show?
O Nila Show saiu em exibição pela primeira vez em 2003. E esteve no ar, durante dois anos.
Qual era o objectivo e a sinopse do programa?
Era um programa infanto juvenil direccionado para o entretenimento e comunicação.
Quanto tempo durou e porque é que terminou?
Terminou após algum tempo, porque haviam outros projectos meus em cartaz.
O projecto que apresentei a seguir estava a ser adiado e programado mesmo durante as actividades que intercalavam a minha vida artístico-profissional. Era um projecto que envolvia algum estudo e dedicação para que se realizasse.
Como se chamou o mesmo? Contou com algumas participações especiais?
Chamou-se Outra. Teve como direcção artística, Paulo Flores, a Editora Nossa Música, e a Promotora LSproduções. Artistas e Cantores convidados: Anselmo Ralph, Kalibrados, Heavy C, Ary, Mufathel, e Negro Bué. Instrumentistas variados, coreógrafos e bailarinos que há muito trabalhavam comigo.
Actualmente reside nos Estados Unidos.
Como tem sido esta nova experiência?
Tem sido gratificante, no sentido em que cresço espiritual e intelectualmente, e aprendo vivenciando todos os momentos de interacção entre raças, culturas e crenças.
A cada dia capto o que há de melhor neste mundo vasto por explorar. Uma experiência que pretendo aproveitar ao máximo. Estou a estudar Engenharia Informática e tenho-me empenhado bastante para ser uma boa profissional.
Não propriamente apresentações, ou melhor as oficiais foram para encontros alusivos a datas de comemoração angolanas. Todas as outras foram mais soltas, em casa com amigos e família, ou em restaurantes, bares, cinemas, sessões de teatro, onde pudéssemos ouvir música e conversar. Até hoje algumas pessoas me reconhecem como a "pequena Nila"...
Quais foram as grandes mudanças entre a pequena e a grande Nila?
Pequena enquanto pequena, grande na actualidade.
Consegue enumerar os melhores e os piores momentos da sua carreira?
Melhores foram muitos, posso até mesmo dizer inúmeros. Piores também alguns, esses raramente faltam (risos) e pouco é de se admirar numa carreira que hoje conta quase 20 anos.
Já chegou a receber algum prémio ou homenagem musical em Angola?
Já. Mas não cá, em Portugal num festival internacional em que fui representar Angola, na Figueira da Foz.
Qual foi o show que mais a marcou?
Foi o Show do cantor americano 50 Cent em Luanda, na Cidadela, em que fui a única mulher a cantar. Na altura estava a promover um single do meu álbum. Desprovida de grandes preparos, fiquei super nervosa pois fazia parte da abertura do show, estava super cheio de público de todos os géneros possíveis e imaginários... com o meu grupo podia contar com tudo, menos com o apoio da plateia que por incrível que pareça foi paciente, e excepcionalmente animada, levantou-me o astral naquele momento.
Participaram, aplaudiram, e pelos vistos gostaram, apesar de não saberem bem o que esperar da nova faceta que ia apresentar como cantora soul.
E para quando o retorno efectivo ao país e também um novo álbum?
Bom, o regresso só acontecer sucedido quando estiver tudo organizado. Tenho estado a estudar, e a preparar-me para trabalhar. Um álbum quando as condições financeiras estiverem criadas assim como a parte artística estimulada. Adoro Jazz, e é nisso que me inspiro por agora.
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