
Érica Chissapa é um talento nato e promissor na telematurgia angolana. No auge dos seus vinte e poucos anos, já realizou personagens super marcantes e queridas para todos. Com o seu sorriso cativante e sereno que nada esconde a personalidade forte e activa da nossa actriz e agora jornalista, ela revelou-nos um pouco da sua infância, adolescência, juventude e anseios para um futuro próximo.
Nasceu no Planalto Central, e de lá saiu com apenas dois anos, “Tenho poucas mas boas lembranças da minha infância, a quem não acredite digo que é verdade. O Huambo é uma terra muito linda”. Érica veio para Luanda, deixando os pais e os três irmãos para viver com os padrinhos, “foram medidas necessárias. Sempre fui muito bem tratada pelos meus padrinhos, eles são realmente os meus segundos pais”.
Entrou para o teatro com 14 anos e afirma que este nunca foi o seu sonho, “sempre quis ser professora e jornalista e nunca actriz. Certo dia fui assistir os ensaios de um grupo teatral e convidaram--me para substituir uma das actrizes, porque o encenador notou que eu estava a vontade com o texto, numa peça que iria estrear três dias depois”. Érica Chissapa confessa que por timidez quase abdicou daquilo que actualmente é a sua fonte de inspiração, o teatro. A actriz pertence há mais de três anos ao grupo teatral Henriques Artes, um dos mais conceituados do país.
O sonho de Érica realizou--se em 2005, quando finalmente actuou na sua primeira novela, intitulada Sede de Viver, e logo no papel da protagonista. “Kátia era uma jovem com boas condições financeiras mas que vivia longe dos seus pais. Era livre independente, altruísta e muito mais. Era realmente um modelo para a juventude”, conta.
A novela Minha Terra Minha Mãe foi a que mais exigiu da actriz. “A novela que foi gravada há quase um ano no Brasil, numa co-
-produção Brasil — Angola, com actores brasileiros e angolanos. Voltei a ser protagonista nesta trama, interpretando a Teresinha. Foi muito gratificante para mim ter gravado esta novela, pela experiência que obtive, uma vez que lá éramos considerados profissionais mesmo porque abraçámos o projecto de corpo e alma. Infelizmente em Angola ainda não se vive como actor ou actriz porque não é um trabalho constante”, lamenta.
A actriz confessa que foram várias as vezes que quis desistir deste grande projecto, mas teve sempre o apoio da mãe que apesar de estar distante, ajudou-a bastante a contornar as dificuldades da distância e da saudade.
Ainda este ano, recebeu o convite para participar no teste do filme da conceituada “rainha dos baixinhos”, a brasileira Xuxa. Apesar de não ter sido a eleita, Érica gostou bastante da experiência. “Foi super gratificante mesmo. A produção do filme tinha de escolher uma angolana para participar no filme Xuxa e o Mistério de Feiurinha, e a Lesliana Pereira ficou com o papel. Ela é super competente e profissional e tenho a certeza de que todo o mundo irá gostar do desempenho dela neste projecto”.
Foi graças a este casting que a actriz começou a dar azo a um sonho já antigo: tornar-se jornalista. Sempre na senda de que “de grão a grão a galinha enche o papo”, Érica aceitou o desafio de trabalhar como repórter no programa Revista África, produzido em Angola e exibido na Globo Internacional. “É um programa que passa todos os sábados. Tenho me divertido bastante porque esta iniciativa mostra o meu outro lado, como repórter. É algo que gosto muito de fazer e faço com muito amor. Sou nova nesta área e pretendo crescer e me profissionalizar”, conclui.
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