
Margareth Antunes Galho, uma menina de bem, sonhava ser jornalista, mas acabou por se apaixonar pelo Direito Britânico. Tímida quanto baste, mas determinada nos seus 24 anos, esta “sereia angolana” visiona no horizonte o seu futuro ligado ao Direito Marítimo Internacional. Os seus conhecimentos jurídicos alcançado serão o passaporte para a jovem que quer ser a “Onassis” angolana, ou seja, a primeira empresária armadora do país.
Pela primeira vez em Lisboa, em trânsito para a capital grega, a jovem Margareth Gallo afirmou que “Portugal é uma delícia” e que, em certos aspectos, os portugueses são muito parecidos com os angolanos. Natural de Luanda, Margareth tem quatro irmãos a estudar em Portugal. Filha de um diplomata colocado em Lisboa, estuda Direito e Ciências Políticas, há cinco anos, na “The American University of Athens”, onde em cada dia se “acorda com diferentes opiniões”. “Um dia ama-se, no outro pede-se: ‘tirem-me daqui!’. É uma cidade onde se ‘stressa’ muito, mas que se sente que está viva”, afirma a futura jurista. Licenciou-se em Direito Britânico e fez o Mestrado em Direito Internacional e Marítimo, com a nota máxima, 20 valores. Em Janeiro terminou a licenciatura em Ciências Políticas. Agora planeia o regresso a Angola para fazer uma pausa e partirá de novo para o doutoramento, eventualmente nos Estados Unidos, na Noruega, Suécia, Singapura ou Malta.
“Acordo, organizo a casa e começo a estudar. Quando está chegar a hora das aulas, preparo-me e vou para a universidade. No regresso tomo um banho e vou dormir ou saio para tomar um café”, relatou Margareth Galho, que vê os gregos como pessoas “passionais”. “Podem amar-te e fazer loucuras. São um povo inesperado!”, caracteriza. Quando chegou a Atenas há cinco anos, teve enormes dificuldades com um curso de Direito, em inglês, mas seguiu o conselho do reitor da universidade. Empenhou-se e, como gosta de estudar, embrenhou-se nos livros, porque afinal está lá tudo. O resultado: 20 valores… para quem não acredita em génios!
Curiosamente explica: “Não escolhi este curso. Gostava de ser jornalista, mas acabei por me apaixonar pelo Direito Britânico”. Da academia para a realidade, Margareth conversou com a nossa reportagem sobre o problema da pirataria nos mares da Somália, sobre o qual a jurista, que adora viajar, aconselha como solução a negociação: “Procurem o leão! Conversem com o dono da casa”.
“É uma Angola a caminho da Angola que eu sonhei, a lutar para o desenvolvimento. Todo o angolano devia voltar ao país e contribuir com o que aprendeu”, defendeu Margareth Galho peremptória. Na área marítima, a jurista explica que faltam instituições que agrupem os melhores quadros. Pelo lado positivo, Margareth Galho destaca o facto de haver “cada vez mais se vêem mulheres angolanas em postos de reconhecimento. A mulher tem de entender que o pescoço precisa de uma estrutura para coordenar a cabeça. E a mulher angolana é o pescoço”, afi rmou. “Estou a trabalhar numa proposta para apresentar ao governo angolano para contribuir para a estruturação do sistema jurídico marítimo. Estou muito positiva. Sei que há poucos especialistas nesta matéria, o que me preocupa, porque há muito a fazer nesta área”, comentou. A jovem jurista referiu que “Angola não tem academias marítimas, como a Grécia ou Singapura, e não há tribunais marítimos, o que geraria mais emprego e seria uma grande ajuda para o PIB nacional”. Tamanha responsabilidade não assusta a jovem empreendedora, que acredita que tal tarefa não a impedirá de fazer “uma vida normal”, no que concerne à sua condição de mulher. Mas, salienta, “primeiro a formação, depois a estabilidade económica e depois o que Deus quiser”. O seu maior sonho imediato é o doutoramento em Direito Marítimo Internacional, na Universidade de Yale, e embora o Direito Marítimo Internacional não seja a especialidade dessa escola, a jurista acredita que daria ainda mais prestígio ao seu já brilhante currículo académico. “A educação é a base para o desenvolvimento de qualquer sociedade”, diz. Já com o tempo a fugir, a jovem ainda quis enviar uma mensagem para os angolanos na diáspora: “Voltem para casa, porque é nesta fase que Angola precisa de diferentes pontos de vista. O fi lho bom normalmente volta a casa para contribuir, em vez de esperar que o problema seja resolvido por outros. Pessoalmente, não tenho medo de voltar. Angola continua a ser Angola. Se não vamos resolver nós os nossos problemas, quem vai?”
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