
Mavunza Sebastião André Costa, para os íntimos Mavis. Poeta e sonhador, não conquistou medalhas de ouro ou de prata, e as dificuldades financeiras deixaram-no à porta da entrada no ensino superior, que tanto queria frequentar na Universidade Lusófona. É divertido, um tudo nada tímido e, tem um estilo que vagueia entre o discreto e o clássico. Muito determinado, afirmou-se “vaidoso e com tendências perfeccionistas”.
Mavis foi mais um daqueles meninos que brincavam com carrinhos de lata de óleo e rodinhas feitas com as tampas e restos de chinelos, mas havia nele uma brincadeira, que o destacava dos outros: fazia bonecos, criava cenários e fazia filmes. “E toda a gente assistia”, disse de forma séria.
ESTUDOS EM PORTUGAL
Mal acabou o 12.º ano, Mavis rumou a Portugal com um sonho que ainda hoje se lhe lê no olhar: frequentar a faculdade. Fez os testes de admissão, foi considerado apto. Mas dez anos passaram e ainda não conseguiu agarrar com as duas mãos o desejo de se tornar profissional de multimédia. Já fez de tudo um pouco e até experimentou as artes cénicas no Grupo de Teatro de Alverca. Hoje “estou a economizar para subsidiar os meus estudos”, confessou. Passo a passo conseguiu frequentar cursos profissionais de paginação para a Web, de Economia e de Contabilidade.
Actualmente Mavis colabora na área da informática e da fotografia com a agência de modelos Afro Fashion, recentemente criada pelo futebolista Miro, com o objectivo de dar mais oportunidades aos modelos africanos e, em especial, aos angolanos.
Este campeão da determinação e da esperança nasceu no N’zetú, província do Zaire, onde viveu até aos cinco anos. Filho de um professor e de uma costureira, Mavis, de origem Bakongo, fixou-se em Luanda até aos 18 anos e aí concluiu o 12.º ano.
“Luanda estava quente, para variar”, naquele 26 de Maio, quando se despediu de dois amigos que ficaram e da mãe, Conceição, que havia concordado com a sua decisão e o acompanhou ao aeroporto. Afinal, Portugal aparecia como uma oportunidade para mais facilmente concluir os estudos superiores. Mas…, há sempre um mas!
Para superar a ansiedade da despedida, concentrou-se na ideia de que Portugal era um “mar de rosas”, onde esperava encontrar oportunidades. “Ouvia sempre que lá era tudo mais fácil”, afirma Mavis, que à chegada a Lisboa sentiu um país diferente, embora tenha realizado o desejo de conhecer Portugal.
“Aterrou” em Santo António dos Cavaleiros, em casa de uma irmã. Passados dez anos considera que “Portugal é Angola um bocadinho mais desenvolvida”. Quanto a saudades, Mavis afirma que “são mais do que muitas”. “Tinha planos para ir ver o CAN 2010 e já tinha pensado comprar o bilhete, mas um problema de saúde da minha mãe solicitou as minhas economias, para um tratamento em Lisboa”, disse. E assim, mais uma vez vê adiada também a sua prioridade: a formação. Mas promete não desistir.
Mavis, que prefere passar pelas experiências em vez de aceitar a vivência dos outros, já escreveu várias histórias, poemas e letras de música e pediu a inclusão de um seu poema, dedicado ao povo angolano, qual intelectual em desenvolvimento.
O maior sonho de Mavis é abrir um centro cultural, com estúdios de fotografia, sala de cinema e de teatro, onde também pudesse realizar eventos. Mas antes de morrer gostava de visitar todos os países de língua portuguesa, a Índia, a Grécia, o Egipto, Roma Antiga, o Hawai, República Dominicana, Gronelândia e Estados Unidos da América. Em suma, “se pudesse fazia a volta ao mundo, e de barco”. Questionado sobre os maiores desafios para o país, Mavis respondeu sem hesitar que “Angola tem pela frente a formação, a criação de mais postos de trabalho, mais saneamento básico e a electricidade distribuída a nível nacional”. A fechar, deixou o incentivo: “Força e coragem”.
Poema ao Povo Angolano “Angolano povo lutador, alegre e batalhador nas desbundas procura esquecer o passado sofredor. Sem dor e cheio de amor. Carrega no peito a esperança de vencer, sem nunca deixar de acreditar. Que para ter sucesso, o caminho é p’rá frente”.
Idade: 27 anos
Profissão: Estudante e trabalhador
Signo: Capricórnio
Prioridade: Formação
Prato preferido: Arroz com kissaca
Hobbies: Jogar futebol, ir à praia, ao cinema, escrever e ler Filme Senhor dos Anéis, mas adora películas de terror
Cores: Vermelho e preto “Não sei se é por causa das cores da bandeira de Angola, mas a maior parte das minhas roupas são vermelho e preto”.
Livro: Fortaleza Digital, de Dan Brown
Viagem: Volta ao mundo
Companhia de viagem A “cara-metade”
Música: Hip-hop
Dançar: Não sabe, mas gosta de ver dançar Semba
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