Daniel Nascimento é licenciado em Comunicação Social, estagiou no jornal português Diário de Notícias e hoje está há dez anos no canal privado de televisão SIC, onde é um dos apresentadores de maior notoriedade pública. Foi para Portugal em 1987 com o sonho de ser jornalista e teve um êxito fulgurante. Figura habitual do jet set, é admirado quer em Portugal, quer em Angola, a sua terra natal.
Oriundo duma família privilegiada, sentiu sempre na pele a necessidade de se afirmar pelo mérito e foi com essa meta que procurou destacar-se positivamente no percurso que, há muitos anos, faz dele um dos angolanos com mais sucesso fora de Angola. Jornalista, apresentador de televisão e, agora, também cantor, Daniel Nascimento confirma: “A minha maior vitória, até hoje, foi o facto de ter conseguido ser bem sucedido devido ao esforço, dedicação e disciplina”.
Com estes três elementos sintonizados, mais o talento e ambição típicos dum Sagitário com ascendente em Capricórnio, e de diploma na mão, bateu à porta da casa que lhe mudaria a vida para sempre. “O meu primeiro dia na SIC foi muito estranho. Primeiro, não sabia o que iria encontrar, não conhecia lá ninguém. Depois, porque fui desafiado a começar o estágio de jornalismo, ao qual me candidatei, logo no mesmo dia”. Para o jovem Daniel, ainda a meio do curso de Comunicação Social, era uma experiência única. “Andavam pela redacção a Alberta Marques Fernandes, também de origem angolana e o primeiro rosto a aparecer no ecrã da SIC, o José Alberto de Carvalho, o Rodrigo Guedes de Carvalho, enfim, todas as caras que via apenas na televisão e que, de repente, se tornavam tão próximas”. E foi com esses rostos que conviveu, já vai uma década.
“Em Outubro fiz dez anos de SIC”. Começou na Informação, nas secções de Sociedade, Desporto e, apesar das reclamações, Política. Filho de um dos mais notáveis políticos angolanos, Daniel não queria estar associado a nada que, directa ou indirectamente, o ligasse ao progenitor.
“Tenho muito orgulho da minha família, mas não me sentia confortável numa área em que o meu apelido pudesse ser um problema, para o bem ou para o mal”. Mas gostou da experiência e foi parar, de forma natural, à política internacional. Apesar de muito jovem, por ironia do destino, era ali que se sentia como peixe na água. Até ao dia em que o então director de programas — e também angolano — Emídio Rangel decide propor-lhe outro desafio, apoiado no carácter irreverente de Daniel: ser um dos apresentadores dum novo programa de entretenimento, que viria a chamar-se “Noites Marcianas”, a adaptação portuguesa dum formato que, na altura, era o maior êxito televisivo em Espanha.
Daniel aceitou mas pressentiu que isso lhe mudaria a forma de estar na vida: do dia para a noite, passaria a ser um rosto conhecido em todo país, o que lhe causava desconforto porque, ao contrário do que seria normal, não gosta das luzes da ribalta. “Estar três horas no ar, de segunda a sexta, durante um ano, foi assustador. Fora do ambiente de trabalho, não gosto de ser observado. E isso era impossível. Ainda hoje, passados tantos anos, não lido muito bem com a exposição a que estou sujeito por causa do trabalho. Apesar disso não me arrependo de nada”, diz.
Mas outra grande mudança se seguiria: seria o primeiro negro a co-apresentar um programa no horário nobre duma televisão privada, algo que, à excepção do próprio e de Cláudia Semedo, não se repetiu com mais ninguém.
“Nunca dei muita importância a isso porque gosto de pensar que se cheguei a algum lado foi por merecer e não por favor. Mas, olhando para trás e vendo o que se passa, até hoje, é obvio que me sinto privilegiado”. Daí para frente nunca mais o percurso de Daniel Nascimento foi o mesmo. De programa em programa, passou por todas as iniciativas ligadas ao primeiro canal privado de Portugal, afirmando-se como um valor seguro e a aposta das várias direcções de programa, desde Emídio Rangel, a Manuel Fonseca, Francisco Penim e agora também a Nuno Santos.
“O Nuno foi o meu coordenador quando entrei para a SIC e é uma das pessoas a quem muito devo o que aprendi em televisão”. “Caras Notícias”, “ModaLisboa”, “Êxtase”, “Marchas de Lisboa”, “Globos de Ouro”, “Parada SIC”, “SIC 10 Horas” ou “Fátima”, são alguns dos formatos a que Daniel Nascimento levou a sua angolanidade e talento para se destacar entre os melhores. Pelo caminho fez formação de actor com a actriz brasileira Thaís de Campos e o ex-marido desta, André Cerqueira, actual responsável pela ficção da TVI. Foi neste canal privado da televisão portuguesa que desempenhou o papel de soldado vilão num dos telefilmes produzidos pela SIC, “A Noiva”, onde também brilharam Catarina Furtado e os actores Diogo Morgado e Marco Delgado.
Mas um dos pontos altos da sua trajectória televisiva, surgiu quando a apresentadora Fátima Lopes perdeu a voz a meio do programa e foi preciso arranjar alguém para a substituir. “Estava em casa a ver o programa e vi que a Fátima estava a perder a voz. De repente ligaram-me a dizer para pegar num fato e ir imediatamente para o estúdio. A Cláudia Semedo (actriz), que na altura era apresentadora, também foi chamada mas só no estúdio disseram-nos o que iríamos fazer: ajudar a Fátima a apresentar o programa até ao fim. Por muito felizes que tivessemos ficado, sentimos algum pânico e uma grande responsabilidade. Afinal era o programa líder de audiências das manhãs e a melhor apresentadora da SIC. Mas lá fizemos o nosso trabalho e todos gostaram. A seguir pediram-nos para ficarmos até ao fim da tarde para nos dizerem que íamos apresentar o programa no dia seguinte, já sem a Fátima que, entretanto, não recuperara a voz”.
A experiência repetiu-se por outras quatro vezes, confirmando a aposta no menino que queria vencer por mérito próprio. Mas, em 2004, quando todos achavam que seria apenas na televisão que Daniel Nascimento daria cartas, o jornalista, actor, apresentador reinventa-se como o cantor Danny L.
A estreia chamou-se Tá Bater, um êxito imediato em Angola e Portugal. “Kissonde” foi o tema de apresentação do álbum, sendo até hoje para Daniel Nascimento o que “Cherry” foi para Paulo Flores ou “Mariquinhas” para Bonga, os ídolos que o inspiraram para a música. Seguiu-se “Matumbo”, hino das pistas de dança e, em 2006, “Nação Angolana”, o segundo álbum, que confirmou Danny L como uma das maiores revelações do semba. “Matumba”, outro clássico, foi o “carro-chefe” da segunda investida musical de Daniel Nascimento. Ritmos marcantes, letras profundas e controversas — a música “O Deputado”, para o cd de Dj Nation, teve vida curta — são a mistura que o povo parece gostar. “Faço música inspirado no quotidiano angolano que é rico em episódios caricatos. E a pensar no cidadão simples que depois de horas de trabalho, entre uma e outra dificuldade, merece ter momentos de descontracção. É por essas pessoas que faço o que faço. O resto não me interessa. “O Deputado” é uma história ficcionada. Tenho pena que não tenha tocado tanto quanto gostaria. Devo ter incomodado alguém, como habitualmente (risos). Mas foi a vida que escolhi. Sou um artista e não a Miss Simpatia”, justifica.
Com o cantor surge o compositor e o produtor de sucesso. Inventa o “sembaduro”, mistura do tradicional semba com o moderno kuduro, viaja por vários estilos musicais e reinventa-se. Em 2007 foi “Kalumba”, nova roupagem do êxito de Elias Diakimuezu, a fazer “estragos” nos pés e ouvidos dos angolanos. Hoje compõe e produz para terceiros (está a produzir o álbum de regresso da cantora França) e é o cantor angolano com mais participações e duetos, que vão do semba ao hip-hop e gospel.
Em 2008 integra Makongo, projecto de fusão de beatbox, kuduro e hip-hop, com SP&Wilson e Pety, voz de “Yah” dos Buraka Som Sistema. “Kisselenguenha”, um dos temas que compõe e dá voz, chega ao top das mais tocadas da Rádio Cidade (a Rádio Luanda portuguesa) e confirma Danny L como dos mais versáteis artistas angolanos da actualidade.
O novo CD, Levanta o Som, chega em Janeiro de 2010 e mistura músicas dos dois primeiros álbuns com sete novas composições. “Fruta Madura”, uma sátira ao comportamento de alguns artistas angolanos, é o single de apresentação. Simultâneamente grava um novo projecto com TT, o “Justin Timberlake português”. “La Fiesta” também junta Pety e promete ser um dos êxitos do próximo verão. No final de 2010 chegará o novo CD. Em televisão, a maior surpresa poderá surgir em Angola. “Fui convidado mas, para já, não digo mais nada. O que posso garantir é que em 2010 quero estar num ecrã angolano.” E a SIC? “A SIC é e será sempre a minha casa”.
A estreia do cantor Danny L, o seu nome artístico, ocorreu com o álbum Tá Bater, um êxito imediato em Angola e Portugal. “Kissonde” foi o tema de apresentação do álbum. Seguiu-se “Matumbo”, hino das pistas de dança e, em 2006, o segundo álbum, Nação Angolana, que confirmou Danny L como uma das maiores revelações do semba. Em 2008 integra a banda Makongo, projecto de fusão de beatbox, kuduro e hip-hop. Este ano sairá um novo álbum do artista.
Eu e a Cláudia Semedo fomos os primeiros negros a apresentar um programa em horário nobre na televisão portuguesa.
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