
No passado dia 21 de Outubro foi apresentado oficialmente o Instituto Angolano de Solidariedade Artes e Saber (INTASA). A entidade sem fins lucrativos constituída em 2007, tem uma finalidade bem definida: criar uma rede de bibliotecas para crianças e jovens com diminuto acesso aos livros.
“Sonhámos que é possível contribuir para a formação do homem de um amanhã melhor e para uma Angola sustentada, com crianças que desde cedo tenham acesso ao saber e possam, dessa forma, fazer escolhas positivas para a vida. Sonhámos e acreditamos que podemos criar oportunidades para crianças e jovens serem felizes e desenvolverem uma relação íntima com o melhor amigo da criança e do jovem: o livro”.
Foi desta forma que Katila Araújo, uma das fundadoras do INTASA, apresentou o projecto ao público. Segundo a responsável, o novo instituto “pretende criar comunidades fortes e auto-suficientes, plantando as sementes de um espírito indagador e dando critério para a vida. Queremos dar corpo a essa nossa missão através da criação de bibliotecas comunitárias”.
O projecto surgiu numa conversa entre amigos. “Queríamos devolver à comunidade aquilo que tínhamos aprendido” conta Katila Araújo. O grupo de amigos olhou para a população angolana e retirou duas grandes conclusões: 40% tem menos de 14 anos e o nível de iliteracia é muito grande. Perante estes factos “Queríamos intervir nesta área e perguntávamo-nos como. Depois de muita discussão, chegámos à conclusão que poderíamos fazer isso criando bibliotecas infanto-juvenis”.
As bibliotecas que se propõe criar são “espaços vivos com programas em que as crianças interagem e são encorajadas a desenvolver a curiosidade, o espírito crítico, em que abordam os temas da sua vida, do dia-a-dia, família, civismo, saúde, lêem livros, escrevem poemas, contam histórias, desenvolvem a oralidade”, explica a responsável.
A primeira biblioteca INTASA abriu no dia 22 de Outubro na paróquia de São Joaquim, na Praia do Bispo, junto a duas escolas do ensino primário. Yara Fernandes, uma das fundadoras do INTASA, assinala que a biblioteca “encontra-se situada num espaço estratégico, perto de uma igreja, com várias escolas primárias à volta.
O que para nós é o universo perfeito para começarmos”. “Começar” porque o instituto solidário não quer ficar por aqui. “O nosso desejo é ver futuramente mais bibliotecas a serem criadas nas diferentes comunidades em Angola. Este já não é apenas o esforço de um grupo de amigos, temos também colaboradores, voluntários, doadores e parceiros”, garante Katila Araújo.
Também a colega Yara Fernandes acredita na reprodução do processo noutros locais. “Esta será a primeira de muitas bibliotecas.
A região alvo deste projecto situa-se em Luanda mas esperamos depois expandir-nos para o resto do país. Queremos providenciar um espaço de actividades lúdicas e de leitura, para que depois da escola visitem a biblioteca onde lhes possa ser incutido o gosto pela leitura, um comportamento de responsabilidade com a escola e o espírito cívico que deve existir”, complementa.
No dia da inauguração da biblioteca os miúdos da Escola n.º 3018 na Praia do Bispo, aguardavam com grande expectativa a entrada no espaço. Portas abertas e a enchente não se fez esperar, as crianças lançaram-se às prateleiras procurando imagens e palavras e escolhendo livros. Com um novo amigo nas mãos sentaram-se pelas cadeiras, poufs ou mesmo num pedaço de chão e mergulharam na leitura.
Tárcio, 12 anos sentado a ler um dos volumes da saga do aprendiz de feiticeiro Harry Potter, parece divertido com o novo espaço ao lado da escola que frequenta. “A biblioteca é espaçosa e tem muitos livros, especialmente de aventura e conhecimento, que são os meus preferidos”. De agora em diante o rapaz pensa ir à “casa dos livros” depois da escola, e até nos intervalos das aulas, para mais tarde “acabar de ler o Harry Potter”, promete.
Também Lukenes, apreciador de poesia está radiante. “É uma boa inovação. Assim as pessoas como nós conseguem ter mais informações. As crianças em vez de irem aí para fora e brincar à toa podem vir ler os livros”, diz do alto dos seus 13 anos.
Maria Luísa Carreira é bibliotecária há 14 anos e é a responsável pelo novo espaço. O dia de inauguração não podia estar a correr melhor. “É espectacular, nunca pensei que houvesse uma adesão tão grande por parte das crianças. Sem dúvida que há uma carência muito grande de bibliotecas e as que há são, muitas das vezes, de difícil acesso. Esta é uma mais valia”, refere.
Abordámos também a pequena leitora Núria, 12 anos, concentrada a ler o livro “365 histórias”. Que pensará deste novo local? “Acho a biblioteca boa, gostei. Tem vários livros e podemos pesquisar”. A menina, prefere ler livros de contos, e confessa que em casa lê “às vezes”. Com a nova biblioteca perto da escola garante que a leitura vai passar a ser uma actividade mais frequente.
Para estabelecer uma rede de bibliotecas e inaugurar a primeira na Praia do Bispo, o INTASA resolveu criar uma rede de voluntariado agregada ao projecto. “Acreditamos que o voluntariado desenvolve o carácter, ajuda as pessoas e realça a solidariedade”, refere Ilda Kuleba, administradora do INTASA.
O trabalho de todos aqueles que quiseram contribuir para o projecto poderá estender--se em diferentes vertentes. “São os voluntários que recebem as crianças na biblioteca e fazem as fichas de inscrição. Muitos outros vão estar envolvidos na Hora do Conto, actividade dedicada à leitura de contos, que irá acontecer aos sábados das 11h às 12h”.
Haverá também torneios de xadrez e damas, com voluntários da Federação Angolana de Xadrez a ensinar as crianças durante a semana. Assistir a filmes seguidos de debate sobre diversos temas, fazem também parte dos planos da organização.
Como para todas estas iniciativas é imprescindível a existência de adultos que possam supervisionar as crianças e jovens, o INTASA tem como grande objectivo a criação de uma extensa rede de voluntários, que auxilie nas actividades. Os interessados a candidatarem--se como voluntários podem informar-se através do site www.myintasa.org.
Para além dos voluntários o instituto conta com o apoio de empresas e outras entidades que se quiseram juntar e desempenham um importante papel na concretização dos objectivos traçados. A União de Escritores Angolanos, por exemplo, fez uma importante doação dos livros que compõe as estantes da biblioteca. A empresa de mobiliário de design que acaba de chegar ao país, a Galante Angola, forneceu ainda as cadeiras para o espaço, entre outros apoios vindos do Banco Privado Atlântico, a Mota Engil, Ambiente e Serviços.
O projecto da INTASA coloca como objectivo a abertura de uma biblioteca por ano. “Ainda não sabemos onde será localizada a próxima biblioteca mas gostaríamos de fazê-lo com a regularidade de uma por ano. Para já, vamos desenvolver muito bem este espaço na Paróquia de São Joaquim, na Praia do Bispo. Queremos criar bibliotecas bem inseridas nas comunidades e, por isso, temos de aprender para saber reproduzir muito bem a fórmula. Este é o nosso projecto piloto”, refere Ilda Kuleba, fundadora do INTASA.
Para já, os livros vão saindo das prateleiras em ritmo acelerado e a procura pela biblioteca tem sido grande. Motivos de grande alegria para todos os envolvidos no projecto. “As crianças estão muito empolgadas. É uma sensação única vê-las tão felizes por terem disponíveis esses livros. Estou a gostar muito de ver essas caras sorridentes”, assinala Ilda Kuleba. Crianças com caras felizes de quem acaba de fazer novos amigos.
”Não esperava uma enchente de crianças tão grande no primeiro dia”, diz Dália Simões, uma das voluntárias da biblioteca na Praia do Bispo.A criação de uma rede de voluntários é um objectivo do INTASA. Os interessados podem informar-se através do site na internet em www.myintasa.org
As bibliotecas que o INTASA quer criar são “espaços vivos com programas em que as crianças interagem e são encorajadas a desenvolver a curiosidade, o espírito crítico, e abordam temas da sua vida, família, civismo, saúde, escrevem poemas, desenvolvem a oralidade”, explica Katila Araújo do INTASA.
Maria Luísa Carreira, bibliotecária há 14 anos, é responsável pelo novo espaço na Paróquia de São Joaquim, na Praia do Bispo. O dia de inauguração não podia ter corrido melhor. “É espectacular, nunca pensei que houvesse uma adesão tão grande por parte das crianças.
Sem dúvida que há uma carência muito grande de bibliotecas e as que há são, muitas das vezes, de difícil acesso. Esta é uma mais valia”, refere a responsável que estará, todos os dias, à espera dos petizes em busca de novos melhores amigos. O público alvo desta “casa dos livros” são as crianças em idade escolar da comunidade da Praia do Bispo.
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