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Lar abençoado

Com um intuito de atender a necessidade da população carente durante a guerra civil que abalou o nosso pais por anos, foi criado, em 1997, o Lar Mama Muxima. A instituição católica alberga cerca 96 crianças, entre as quais 80 meninas e 16 rapazes, com idades compreendidas entre os 3 e os 23 anos.

TRABALHO ÁRDUO

O lar, coordenado por irmãs católicas é dirigido pela irmã Catarina de Sousa, que conta com a irmã Lalé como seu principal braço direito.

Foi com ela que conversámos. O lar recebe órfãos e crianças carentes, na sua maioria.

O Mama Muxima oferece aos seus moradores e, não só, o direito ao ensino –sendo que a escola fica a 50 metros da instituição - para crianças e adultos (no período nocturno), uma enfermaria, onde as pessoas levam as receitas e eles oferecem a medicação, curso de costura, culinária, informática e desenho. Encontrámos algumas crianças na Biblioteca do Lar. Alguns livros, apesar muito antigos são os mais procurados pelos mais jovens, caso das história de quadrinhos da Turma da Mónica.

Na sala de informática são os mais velhos que ensinam os mais jovens, “Temos que transmitir os ensinamentos. Não temos como contratar professores para ensinarem os meninos a tempo inteiro, então eles vão aos poucos, passando o que aprendem na escola para os mais pequenos”, contou-nos a irmã Lalé.


AS HISTÓRIAS

Pedimos para conversar com algumas crianças e foi então que conhecemos Judith, Anita, Nazy e as gémeas Lili e Gigi.

Judith, de 6 anos, está no Lar há três. A mãe da pequena, que sonha ser madre, sofre de perturbações mentais o que a impede de cuidar da filha.

As inseparáveis Anita e Nazy, de 12 e 10 anos, respectivamente, além de partilharem a paixão pelos brinquedos, querem ambas ser professoras. Anita provou à nossa equipa que sabe fazer cálculos e afirmou: “Quero ser professora de matemática”. Já Nazy, declamou uma poesia após nos ter dito: “Eu quero ser professora de português”.

As gémeas Lili e Gigi, de 12 anos, têm uma história especial. São filhas de uma mulher de vida fácil que, há 11 anos atrás foi abordada por algumas irmãs religiosas que se chocaram com o facto dela estar no seu “local de trabalho” com as filhas, na altura com 1 ano. Desde então as meninas vivem no Lar. A mãe de quando em vez, vai visita-las. As duas querem ser madres e Lili foi mais longe: provou-nos a sua devoção ao dizer, sem erros, a oração de Nossa Senhora da Muxima.

Conhecemos também o animado Ito, um menino que aparenta ter os seus 10 anos. O mesmo sofre de perturbações mentais e, segundo a irmã Lalé, “apesar de não viver aqui no Lar, ele está aqui todos os dias. Fica a brincar com as outras crianças. Aqui ele sente-se bem, sente-se em casa, sente-se livre”.

Fizemos uma visita guiada ao centro. Pudemos confirmar algumas debilidades do espaço como a alimentação e o caso das camas. As crianças mais adultas – a partir dos 14 anos – dividem a mesma cama. Também existem muitas dificuldades em relação a alimentação.

Mas não são só coisas más. Para esta época do cacimbo, todas as crianças estão preparadas, em termos de vestuário. “Temos casacos, calças, meias e tudo mais, apesar de muitos deles não gostarem de vestir e calçar (risos). Mas basta chamar a atenção deles e eles lá fazem. São, acima de tudo, boas crianças”, afirmou a irmã.

LAR MAMA MUXIMA

  Em 1998, um ano após a criação do Lar, estes azulejos foram fixados na parede do centro. Actualmente com 96 crianças internas, o Mama Muxima, tal como vários outros lares, está vinculado a Igreja Católica. O centro em questão está situado na Praia do Bispo, e para mais informações, contacte: +244 923 598 940.
E O AMANHÃ...

Quando questionamos sobre o rumo que os internas mais velhos tomam, a nível profissional e pessoal, a irmã esclareceu: “Muitos deles são encaminhados por nós aos centros de emprego, pois temos que velar pelo futuro deles. Muitas das meninas começam a trabalhar como babysitters.”, acrescentando ainda que: “quase nenhum deles ingressa para as Universidades. Na sua maioria são jovens que começam a estudar muito tarde e, sem condições para pagarmos o ensino superior, fica complicado... Mas temos fé”.

É possível apadrinhar crianças do Lar Mama Muxima. “Os padrinhos assumem a responsabilidade pelo estudo das crianças, levam-nas a passear também. Elas só não podem dormir fora da instituição. Muitas delas não são órfãs e os pais e familiares vêm ao menos uma vez por ano visita-los”, esclareceu a irmã Lalé.

As crianças têm ido ao cinema uma vez por ano. “É um dos momentos de mais alegria para elas. Pedimos apoio da Macon, para o transporte, e também pedimos a ajuda do Belas Shopping e levamo-las para lá. Também costumámos ir a praia, mas só os meninos que melhor se comportam. É uma forma de manter a disciplina”, frisou a simpática irmã Lalé.

Aproximava-se a hora da reza do terço e também do fim da nossa visita, e eis que fomos surpreendidos pelas crianças. Coordenadas pelas mais velhas e pela irmã, todos cantaram um cântico de despedida e também de agradecimento, firmando assim um compromisso moral de mais visitas a este Lar que tanto faz pelos mais desfavorecidos.

CAMAS: PRECISAM-SE

Durante a visita guiada foi possível confirmar algumas debilidades do lar, entre as quais a ausência de camas. Por norma dormem duas crianças por cama. “Uma empresa ofereceu, no fim do ano passado, beliches para o Lar. Mas na sua maioria já não estavam em bom estado de conservação. Agora, muitas crianças dormem em colchões simples e outras dividem as camas”, contou a irmã Lalé. Também existe uma grande necessidade alimentícia no Lar. Por dia, alem das 96 crianças internas, o centro chega a receber cerca de 40 crianças externas, o que prejudica na gestão dos bens do espaço. 
Toda a ajuda é bem vinda.

Jandira Miranda
21 de Julho de 2011
17:45
 
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