| info@opais.net
Muito nublado
Luanda
Clique para aceder ao site do jornal
RSS

cá dentro

O Cantinho da Paz
 - uma nova oferta de lazer 
e uma boa forma de fazer negócio 
no campo



Sónia e Luis Sampaio podem agora dar-se por felizes, anos depois de se terem empenhado numa tarefa que, à data, poderia bem ser vista como um passo demasiado arriscado. Construir um complexo turístico no campo pode ser uma excelente ideia em qualquer outro lugar do mundo, mas no Huambo, localidade no interior de Angola, sem actividades económicas de grandes rendimentos e onde a luta das pessoas estava mais para a sobrevivência, poderia, num prazo curto, revelar-se uma má ideia, ou mesmo um desastre.

Só que o que diferencia os empreendedores do resto das pessoas é mesmo a audácia. Os Sampaio sonharam, arriscaram e podem agora colher doces frutos. Quando em 2009 o jornal O PAÍS esteve em reportagem pelo Huambo, abordando questões ligadas à produção no campo, a fazenda da família Sampaio foi uma das visitadas. Na altura, houve também espaço para a sua actividade na rubrica Nova Angola, como exemplo de uma fazenda agrícola bem gerida e, fundamentalmente, bem projectada.

Voltamos a visitar o local nos passados dias dezassete e dezanove de Setembro. Estamos em 2011 e as mudanças que o espaço sofreu saltam-nos aos olhos.  Não há segredos para descobrir o local. Basta estarmos na estrada que liga a cidade do Huambo ao Alto Hama e Luanda, na comuna da Chipipa. As placas indicadoras chamam a atenção de qualquer pessoa. Se estiver a chegar do Kwanza Sul ou de Luanda, o convite dificilmente merecerá uma recusa. Entramos e descobrimos uma festa para os olhos.

Novidade bem acolhida
Aos fins-de-semana tem-se a confirmação de que a ideia dos Sampaio (Sónia e Luis) foi bem acolhida pelo Huambo, se olharmos para o número de visitantes que o espaço recebe. E vão em famílias, muitos deles. Outros vão em grupos que optam pelo local para realizar encontros de reflexão ou festas de casamento ou de aniversário. A nossa reportagem testemunhou um encontro comemorativo da Polícia Económica no passado dia dezassete. Ou seja, o Huambo acolheu o Cantinho da Paz como seu também. E o temor de um eventual fracasso por falta de clientes (porque no Huambo a economia não é ainda muito dinâmica e a luta das pessoas é para pagar o essencial) foi afinal vencida pela necessidade do ser humano de alimentar também o espírito com o que é belo.

Ofertas para todos
Se gosta de pesca encontra no cantinho da paz um bom espaço para praticar a actividade. O lago artificial com pouco mais de um hectare está povoado por peixes que Luis Sampaio foi capturar ao rio Keve. Agora cresceram e multiplicaram-se.
Se a sua preferência está ligada á botânica, há um pomar com vários hectares em que se encontram limoeiros, laranjeiras, mangueiras, abacateiros, abacaxi, bananeiras e outras plantas de fruta, além dos pinheiros, eucaliptos, e casuarinas.
Para quem queira fazer uma caminhada ou andar de bicicleta há também trilhos bem desenhados. Assim como existe oferta para quem queira observar animais. Aqui as crianças têm um prato cheio, com galinhas do mato, coelhos, cabras de leque, vacas, ovelhas, etc.
Tratando-se de uma oferta turística numa fazenda, não poderiam faltar as hortas de tomate, couves, cebolas, morangos, cenouras, batata, feijão …
Mas haverá também quem queira apenas bons momentos entregue ao amor pelas letras, aquele acto de paixão que envolve por completo quem nele mergulhe, colocando em redor uma cortina capaz de afastar o tempo e fazê-lo correr longe dos nossos sentidos, porque as letras inventam outro tempo e outra realidade, outras sensações, um pedaço de outras vidas. Para estes há vastas áreas relvadas e com bancos rústicos, mais afastados da área dos bares e dos bungalows.

O agro-turismo tem ainda muito terreno para percorrer em Angola, tal como nós aqui neste cantinhoO, disse-mos Luis Sampaio, enquanto nos guiava numa visita pela fazenda. ,Nós apostamos muito seriamente neste projecto. Hoje eu sei o quanto de envolvimento um espaço desta natureza requer, ou nos dedicamos por inteiro, ou as coisas se tornam mais difíceisN.
E continuou: .Sei que o Huambo tem vários locais com beleza natural exuberante, locais que podem ser bem aproveitados por empresários. Somos uma província qu, pelo clima que oferece e pela simpatia das pessoas, pode tornar-se num importante centro turístico, temos apenas de trabalhar. E temos de trabalhar em conjunto, o trabalho de uns complementará o dos outros. Quanto melhor fizermos mais turistas virão, ganhará a província e ganharão os operadoresS.

Gestão empresarial
Apesar de se tratar de um empreendimento familiar, Luis Sampaio não tem ilusões quanto ao modelo de gestão. ATem de ser empresarial. Há que gerir tendo em conta os resultados e os compromissos com as entidades credorasT. O empresário diz ter apostado no projecto contando também com financiamento obtido da banca, o que .é muito caro. Os juros que se cobram a quem quer investir, produzir… quem quer realizar coisas e gerar empregos, são demasiado altos .
Por outro lado, tal como outros empresários agrícolas no planalto central, também Luis Sampaio diz estar na hora de as entidades com competências começarem a pensar seriamente no seguro agrário. No seu caso, o susto veio em forma de fogo,já no fim do Cacimbo, quando um incêndio atingiu parte dos parques de pasto e uma vasta área do fruteiras.

Crescimento baseado na confiança
Sónia e Luis Sampaio são também donos do restaurante Novo Balcão, um dos mais procurados na cidade. O seu bem servir e bem receber na cidade acabaram por tornar-se numa boa propaganda para o seu espaço de agro-turismo. Se o postal com que acenam os olhos de quem vá a Chipipa é essencialmente pintado pelo belo, num espaço que convida, já a adesão imediata dos clientes idos do Huambo e de outras partes do país tem uma razão: nEles recebem e servem muito bem. É bom estarmos num local em que a paz é complementada pela boa educação de quem nos recebeE disse uma hóspede abordada pela VIDA.

O que O PAÍS  escreveu em Maio de 2009

A vinte e quatro quilómetros de distância da cidade do Huambo, na direcção norte, estrada que leva a Luanda, na comuna da Chipipa está a fazenda LS & SS, pouco mais de trezentos e cinquenta hectares. É o exemplo acabado do caminho que os empresários agrícolas do Huambo pretendem trilhar: a terra pode ser um bom negócio e com muitas valências .

Nesta fazenda que tem hectares de abacaxi, maracujás, limoeiros, laranjeiras, bananeiras e outras plantas de frutas, há também milho (vários hectares), e quase uma dezena de parques de pasto para bovinos, caprinos e ovinos, compostos essencialmente por braqueária, capim gordura e azevem.

Mas o que chama a atenção para esta fazenda são as suas residências. Um grupo de seis casas cilíndricas que na verdade representam seis suites para hóspedes, com camas de casal, casa de banho com água quente, escrivaninha, frigobar, um pequeno espaço de estar e com a possibilidade de colocação de uma cama extra. O espaço residencial da fazenda tem, ainda, uma quadra polidesportiva, um dispensador de água de nascente, um jardim de rosas e diversas gaiolas com coelhos, capotas, e outros animais. Passeiam-se gansos e patos junto ao lago e mais acima está um espaço para a realização de leilões de gado.

José Kaliengue
6 de Outubro de 2011
16:11
 
8
 
 
 

Newsletter



Subscreva tambem a newsletter da Exame

Capas da edição nº 281

 
 
 
Assine OPaís Online