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Besa Foto2011

A fotografia 
como acto de arte

Ao cair da noite da última Terça-feira, dia derradeiro do mês de Outubro, a linha imaginária que separa o espaço do incontornável Café del Mar, na Ilha do Cabo, da fina areia da praia que anuncia o vaivém da maré, feito de compassada indolência nas noites calmas como a que se vivia, aparecia acentuada por uma fileira de monitores, emparceirados lado a lado.

Por detrás destes quadros exuberantemente policromáticos e altamente definidos, ainda se pressentiam as cores do sereno marulhar da água, num tempo em que as noites já são mornas, dando profundidade às fotos em exibição no ecrãs, que se sucediam como que dando corpo a uma narrativa sobre o quotidiano do país.

MUNDO DAS IMAGENS

Também a frequência do conhecido bar e restaurante era mais homogénea que o habitual. As dezenas de fotógrafos e apaixonados pela fotografia que a constituíam, muito mais que apontarem as lentes para algum pormenor da paisagem circundante, iam fazendo zooms a um ou outro detalhe das conversas que animavam o convívio, distraindo assim a expectativa pelo anúncio dos distinguidos no BESAfoto 2011.

E eles chegaram. Três premiados e 10 menções honrosas. O 1.º prémio foi para Adalberto Gourgel, o 2.º prémio para Waldney Oliveira, nosso colega na revista Vida - mas a verdade é que O PAÍS se vai tornando um habitué no que toca a prémios nacionais - e o 3.º prémio para João Monteiro: todos eles retratam o quotidiano angolano.

OS VENCEDORES

Na apreciação do júri a fotografia de Adalberto Gourgel conta-nos uma “história poderosa”, a de Waldney Oliveira (2.º lugar na edição passada) “demonstra perfeitamente o contraste que advém do rápido crescimento da cidade de Luanda” e a de João Monteiro narra “duas realidades no mesmo enquadramento”, a do pescador e a do menino.

As menções honrosas contemplaram trabalhos apresentados a concurso por Guilherme Luvualo, Jaime Sebastião, Isaac Bartolomeu, André Jorge, João Monteiro, Gika Canoso (vencedor da edição passada), Petra Machado e Dselja Neves, Osvaldo Paulo e Celma Nescos.

UM ACTO DE ARTE

Todas as fotos distinguidas afirmaram o “exercício da fotografia como um acto de arte”, como referiu a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, que esteve presente na gala. Para Rosa Cruz e Silva, “o rosto da alma é um exercício que capacita jovens, forma profissionais e forma artistas”. E, dirigindo-se aos presentes, sublinhou: “vocês vão ser hoje e amanhã os homens que captam a imagem, dão o rosto e reflectem a alma de Angola”.

Leonor Sá Machado, directora de marketing do BESA, salientou que “os mais de seiscentos fotógrafos que participaram nas quatro edições do concurso partilham a nossa aspiração: levar Angola para o mundo e trazer o mundo para Angola. Em 2012 promoveremos um modelo de acompanhamento dos premiados de todas as edições do BESA foto, certificando-nos que possam ter todas as condições para o desenvolvimento da sua carreira fotográfica. Na certeza de juntos estarmos a desenvolver por meio da fotografia a crónica dos dias em que vivemos”.

O PROJECTO

Ao BESAfoto 2011 concorreram 171 fotógrafos angolanos que apresentaram mais de 1.500 trabalhos. O evento é organizado pelo Banco Espírito Santo Angola (BESA) em parceria com a World Press Photo (WPPh). A edição de 2011 registou o maior número de participantes desde que o banco organiza o concurso.

O concurso, inserido no projecto BESAcultura, dirige-se a fotógrafos amadores e profissionais de nacionalidade angolana, residentes em Angola ou no estrangeiro. A selecção e coordenação do júri do concurso, bem como a definição dos critérios de avaliação dos trabalhos, coube à organização World Press Photo, uma das mais prestigiadas a nível internacional na área da foto-reportagem e da fotografia como arte.

O JÚRI

O júri que se mostrou muito impressionado com a coragem dos fotógrafos angolanos em retratarem esta época de grandes mudanças que não é fácil para todos, foi composto por quatro fotógrafos, dois angolanos (Walter Fernandes e Edson Chagas) e dois estrangeiros (Emilio Morenati e Michaël Zumstein) e um representante BESA.

Foram atribuídos três prémios em Kwanzas, avaliados em 30.000 dólares, sendo o trabalho vencedor premiado com o equivalente em Kwanzas a 15.000 dólares, o segundo classificado com 10.000 dólares e o terceiro classificado com 5.000 dólares.

Luís Faria
7 de Novembro de 2011
09:58
 
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