Desporto
Bola de Ouro FIFA
O argentino brilhante

O anúncio foi feito: Leonel Messi é o vencedor da Bola de ouro da FIFA. A gala ocorreu em Zurique, na Suíça, num ambiente repleto de estrelas e glamour. Conheça os outros grandes premiados do mundo do desporto rei.
Poucas horas antes da Gala começar, a família do futebol já começava a congregar-se no Kongresshaus de Zurique, na Suiça. Com o passar dos anos, a cerimónia de escolha do melhor do mundo transformou-se num dos grandes eventos do calendário, ganhando inclusive o famoso “tapete vermelho”. Foi sobre ele que passou o argentino Lionel Messi, impecável num smoking de veludo, rumo à conquista do cobiçado troféu. Também Cristiano Ronaldo, elegante como sempre. A mesma elegância mostrada pelos treinadores e “arqui-rivais” José Mourinho e Josep Guardiola, que se transformaram em ícones tanto da moda quanto do desporto. Além dos astros da actualidade, grandes nomes de todos os tempos celebraram uma noite especial com a família do futebol.
AS PREVISÕES
Seis meses depois do término do Mundial do Futebol na África do Sul, era chegada a hora de conhecer os melhores do mundo. Para muitos, o Mundial em nada tinha influenciado a decisão dos dirigentes, capitães, técnicos de selecções e jornalistas, credenciados para fazer parte do júri.
Antes do anúncio dos vencedores, a escolha de Xavi era considerada por muitos a mais justa, mas acreditava-se que Iniesta seria o vencedor por ser o marcador do golo do título da Espanha na Mundial 2010, na final contra a Holanda do jogador Wesley Sneijder (que nem entre os três melhores ficou).
Os palpites dos presentes variavam, mas desde o início estava claro que a cerimónia teria sotaque latino.
A estrela dos Camarões e um dos maiores nomes do futebol mundial, Roger Milla, teve sorte no seu palpite: “Lionel Messi, sem dúvida”, respondeu em entrevista antes do início da Gala. “Os outros dois são jogadores extraordinários, mas jogam ao lado do argentino, que é realmente impressionante.” Roger Milla também aproveitou para lamentar a ausência de atletas africanos: “O Samuel Eto’o teve uma grande temporada e ganhou quase tudo, mas não dá para negar o mérito de quem chegou aqui.”
MOMENTO DA VERDADE
Eram quatro os grandes prémios da noite: Melhor treinadora, melhor treinador, melhor jogadora e melhor jogador, respectivamente.
Silvia Ned, da Alemanha, de 46 anos, foi eleita a melhor treinadora. Com um forte espírito de equipa e muito respeito, os seus dois princípios fundamentais como treinadora, Neid está a trabalhar muito para preparar a seleção da Alemanha para o Mundial Feminino do ano que vem. Para isso, ela sabe que tem dois grandes desafios. O primeiro é proteger as suas jogadoras da grande pressão existente na Alemanha, onde será realizada a Mundial de Futebol Feminino da FIFA 2011, e o segundo é misturar as atletas já consagradas com as jovens promessas.
No caso do melhor treinador, o holandês Wesley Sneijder

não tinha dúvida. “Só vou dizer uma coisa sobre José Mourinho: precisa ser o ganhador hoje”, frisou o holandês. O técnico português, por sua vez, não escondeu a emoção. “É difícil estar em uma cerimónia sem saber se vou ganhar ou perder, mas é uma alegria fazer parte deste momento, e os triunfos e derrotas fazem parte da vida”, filosofou e... venceu! Numa disputa onde estavam Pep Guardiola, do Barcelona e Vicente Del Bosque, da selecção espanhola, o treinador do Real Madrid de nacionalidade portuguesa foi o grande vencedor, muito pelo trabalho que fez no Inter de Milão, onde ganhou o campeonato e a Taça italiana, e também conquistou a milionária Liga dos Campeões, tornando-se no primeiro treinador a alcançar o feito com uma equipa italiana e o terceiro a ganhar a Liga dos Campeões com dois clubes diferentes.
Pela quinta vez, Marta foi eleita a melhor jogadora pela FIFA. Aos 24 anos, a sala de troféus de Marta já faz inveja à maioria dos atletas que já encerraram suas carreiras. Em 2010, ela incluiu na galeria o título da WPS, a Liga de futebol dos Estados Unidos, que conquistou com o FC Gold Pride. Além disso, pela segunda temporada consecutiva, foi a melhor marcadora do torneio e eleita a melhor jogadora. Para encerrar o ano, a brasileira vestiu a camisa amarela da Seleção e, como sempre, foi o destaque da equipa no Campeonato Sul-Americano em que, com campanha invicta, o Brasil assegurou vaga no Mundial de Futebol Feminino da FIFA/ Alemanha 2011. O momento alto da noite, como já era de se esperar, foi a eleição de Leonel Messi como melhor jogador de 2010. Antes do anúncio um momento ímpar: as mães dos três finalistas, Messi, Andrés Iniesta e Xavi conversavam animadas. Coube a Pep Guardiola entregar o prémio a um entre três dos seus pupilos.
MESSI, O MELHOR
O ano de 2009 foi o último em que os prémios de Jogador do Ano da FIFA e a Bola de Ouro da revista France Football foram entregues separadamente. Curiosamente, quem levou os dois para casa foi o mesmo jogador: Lionel Messi. Agora, com apenas 23 anos, o argentino viajou para Zurique pela quarta vez na curta e brilhante carreira como um dos nomeados para receber a maior distinção individual do futebol mundial. O atacante estreou oficialmente na equipa principal do Barcelona em 2004. Desde então, vem acumulando recordes e títulos. Comparado muitas vezes a Diego Maradona, o canhoto respondeu à altura, transformando-se em dono indiscutível da camisa 10 da seleção argentina.
Se a temporada 2009 foi brilhante, o que dizer do desempenho do argentino em 2010? Ele já superou a marca de 150 golos com a camisa do Barcelona. Ao ultrapassar os cem no Campeonato Espanhol, consolidou-se como o quarto maior marcador do clube no torneio. Os números realmente impressionam: Messi balançou as redes duas vezes em um mesmo jogo em 24 ocasiões e já fez três golos na mesma partida cinco vezes.
E tem mais. Na África do Sul 2010, contra a Grécia, Messi entrou para a história como o capitão mais jovem da seleção argentina em um Mundial. No entanto, para surpresa geral, o craque não marcou nenhum golo no Campeonato. Estes só viriam depois: um diante da Espanha e outro contra o Brasil. Ambos garantiram a vitória da equipa naqueles amistosos.
Mais uma vez voltou a confirmar-se que nem sempre o melhor do Mundial é eleito como o melhor do mundo. Em 2002, Oliver Kahn foi o melhor do Mundial e Ronaldo, o “fenómeno”, o melhor da FIFA. Em 2006, Zidane o melhor do Mundial e Cannavarro o melhor da FIFA. Agora em 2011, a história repetiu-se, com a eleição de Diego Forlan, do Uruguai como melhor do Mundial 2010 e a de Messi, da Argentina como o melhor de 2010, pela FIFA.
ONZE DOURADO

A maior polémica da noite foi mesmo o onze escolhido pela FIFA como o melhor de 2010! Muitos dos jogadores que tiveram além de uma grande prestação nos seus clubes um bom desempenho no Mundial, não estiveram presentes no “onze dourado” da FIFA.
Na lista dos 23 finalistas para o prémio de melhor do mundo que a FIFA disponibilizou a imprensa, no final do ano passado, incluía: 6 jogadores do Barcelona — Xavi, David Villa, Puyol, Iniesta e Daniel Alves-, 5 do Bayern
de Munique — Robben, Klose, Lahm, Müller e Schweinsteiger — , 4 do Real Madrid - Xabi Alonso, Casillas, Cristiano ROnaldo e Ozil —, 4 do Inter de Milão - Júlio César, Maicon, Wesley Sneijder e Eto’o —, 1 do Atlético de Madrid — Forlan—, 1 do Chelsea — Drogba — e um do Sunderland - Asamoah Gyan.
No final, e com algumas surpresas, os onze perfeito da FIFA foram: na baliza o espanhol Iker Casillas (Real Madrid); na defesa os brasileiros Maicon (Inter) e Lúcio (Bayern de Munique), e os espanhóis Gerard Piqué e Carlees Puyol (ambos do Barcelona); no meio campo o holandês Wesley Sneijder (Inter) e os espanhóis Xavi e Andrés Iniesta (os dois do Barcelona); como avançados o espanhol David Villa (Barcelona), o português Cristiano Ronaldo (Real Madrid) e o menino de ouro da Argentina, Leonel Messi (Barcelona).
Bola de ouro: com valor a dobrar A Bola de ouro (no original em francês Ballon d’or) foi um prémio de futebol criado pela revista francesa France Football. Era conhecido mundialmente como o “Futebolista do ano na Europa”. Em julho de 2010 foi anunciada a unificação do prémio com o de “Melhor jogador do mundo pela FiFa”, com o primeiro prémio sendo entregue em janeiro deste ano e passando a ser chamado de “Bola de ouro da FiFa”.
Desmond Tutu: Menção honrosaUm dos líderes da resistência sul-africana contra o apartheid, o arcebispo Desmond Tutu foi agraciado com o Prémio Presidencial da FiFa na cerimónia organizada pela entidade para premiar os melhores do ano de 2010. Tutu, vencedor do nobel da Paz, costuma ser citado entre os maiores nomes da história da África do Sul e ficou internacionalmente conhecido com a luta contra o apartheid. no ano passado, o Prémio Presidencial foi entregue à rainha Rânia, da Jordânia, pelo compromisso mostrado com o programa 1GoaL: Educação para Todos.
Jandira Miranda