O LFC, centro que comercializa roupas, calçados, pastas e bijutarias femininas, preparou novidades para as suas clientes para o período que antecede o Natal.
Arick Wierson, director geral do centro, afirmou ao Semanário Económico, que serão investidos cerca de 100 mil dólares nestas promoções. Ainda a empresa tem novos projectos, em manga, tais como a nova colecção masculina, prevista para Março, bem como ampliação da infra- estrutura da loja.
Em Novembro de 2012, deverá ser também inaugurada a segunda fase da LFC, com abertura de loja em Benguela, Huambo ou Lubango. Mas expansão e ampliação não são os únicos planos económicos do centro que pretende ser uma referência no mercado. De acordo com o director geral do LFC, está em estudo a aposta no ramo infantil, que o empresário considera ser uma área “carente” em Angola, onde existem apenas cerca de 15 lojas.
A seguir o Natal, a LFC vai criar um programa de fidelidade em parceria com o BMF, através de um cartão de compras, que funcionará como um multicaixa que acumula pontos e que oferece presentes de apoio de lojistas. Ainda no próximo ano, a empresa pretende comercializar equipamentos para a constituição de lojas, tais como manequins, de acordo com os planos traçados por Arick Wierson.
O LFC, fundada a 5 de Novembro, é uma empresa de capital 100% angolano, cujo orçamento inicial ronda os quatro milhões de dólares e emprega 50 angolanos e 23 expatriados.
Arick Wierson, fundador da empresa, é norte-americano e esteve, pela primeira vez em Angola, em 2009, e ainda se lembra da primeira imagem que colheu no aeroporto: a enorme fila de senhoras, vindas do Brasil, com muitas malas: “Fiquei espantado pois não sabia que o mercado em Angola não estava estruturado com o mecanismo de distribuição para o retalhista, ou seja, não existia o conceito do grossista por isso o retalhista tinha de ir buscar o produto noutros pontos”.
O empresário considera que a roupa é um sector de muita visibilidade e noutros países existe uma divisão de mercado, ou seja, retalhistas focados na venda e grossistas focados na distribuição. E, por isso, calcula que as lojistas de Angola devem gastar cerca de 600 ou 700 milhões de dólares, por ano, no exterior.
“O mercado retalhista é desorganizado, descentralizado, desagregado e informal”, caracterizou. Antes de se implementar no mercado, a LFC efectuou um estudo que contou com a participação de Brigithe dos Santos, embaixadora da moda do LFC, bem como de comerciantes que se dedicam à compra de mercadorias de moda no exterior para a comercialização em Angola, vulgo “moambeiras”.
Brigithe dos Santos chegou mesmo a acompanhar algumas destas pequenas empresárias nas suas viagens e em todas as compras, vendo, ao pormenor, desde o valor que elas levaram para as compras, os preços que os produtos custaram, as marcas, bem como as despesas com a hospedagem. Depois foi feito um balanço, e Arick Wierse entende que nem as empresárias fazem. Ou seja, explica, conseguiu calcular toda operação, identificado deste modo o quanto custa toda esta operação e no que se gasta desnecessariamente. Foram efectuadas, por exemplo, pesquisas sobre as influências da moda em Angola. Lembrando-se que ainda neste projecto se efectuaram cadastros de mais de cinco mil “moambeiras”. Entre elas, estavam proprietárias de lojas, ambulantes, pessoas que possuem tendas nos mercados. Num dos estudos, afirmou o empresário, concluiu-se que a maior influencia a nível de moda da mulher angolana são os vestidos da telenovela da TV Globo. O mesmo estudo concluiu que a actriz com mais impacto na moda é Thaís Araújo. Por isso, a LFC estabeleceu uma parceria com a TV Globo, no sentido de saber, de antemão, quais as novelas em gravação e os estilos que terão impacto no mercado da moda.
Arick Wierson alerta para a fiscalização na alfândega que está cada vez mais rigorosa e as taxas de embarque cada vez mais cara. Parte da sua função, passa por informar, exemplificado que quem entra para comprar no Brasil o faz como se fosse brasileiro. Ou seja, não aproveita os vários incentivos fiscais que o governo brasileiro oferece para as exportações e só este facto, segundo Wierson, representa 15% na média. “Por exemplo, se alguém compra uma camisa por um dólar e se trouxesse esta mesma camisa como importadora, seria 85 centavos”, explicou. A LFC está entrar no mercado apresentando 40 mil peças referentes a 150 marcas dos Estados Unidos, Brasil e Europa. A empresa conta com parceiros por vários pontos do mundo, nomeadamente, em Los Angeles, São Paulo, Miami e, brevemente, tenciona abrir uma central de compras na Europa e na China. “Trata-se de compradores profissionais.
O grupo de São Paulo, por exemplo, é composto por brasileiros, mas que há 20 anos atendem angolanas, portanto estas pessoas compram aquilo que o mercado angolano pede”.
O empresário entende que a valorização do real tornou o mercado brasileiro caro, apesar de ser conhecido pelas angolanas e por ser o preferido. Deste modo, a LFC opta por trazer também produtos dos EUA.
Arick Wierson garante que o sucesso dos artigos mais comercializados da loja não está dependente do nome da marca, mas da preferência dos clientes. Exemplificando, que os sapatos mais vendidos pertencem à marca Bambu que é desconhecida no mercado, mas que já foram vendidos 500 pares.
A LFC ensina marketing às clientes para que possam revender os artigos. “A ideia de vender só para lojista não resulta. No Brasil, por exemplo, nas grandes regiões que vendem a grosso, as pessoas só compram por via de um cadastro ou mediante a apresentação do CNPJ. Mas em Angola não é possível implementar isto, porque 80% das lojas não têm NIF, ou seja, não são constituídas de forma formal”, explicou.
Assim sendo, a LFC implementou o sistema de vender um alto número de peças por cliente, que depois podem ser revendidas.Na loja, não é permitido experimentar roupa para evitar que as clientes das lojas vão ao centro fazer compras.
O projecto teve a duração de sete meses, desde a sua idealização à implementação no mercado. Até ao momento foram criados 50 postos de trabalho. O BAI Micro Finanças (BMF) tem um representante dentro da loja que presta apoio às clientes, no que concerne as vantagens do micro-crédito. Marquinhas Domingos é proprietária de uma boutique há três anos e é uma das compradoras assíduas da LFC. Não paga passagens, nem estadias, nem tem problemas com a alfândega para conseguir obter roupa adquirida no Brasil.
Garante que gasta menos desde que começou a efectuar compras na LFC porque diminuíram as despesas. Antes sempre que gastava 50 dólares tinha de meter uma margem de 70%. Hoje já pode comprar a 50 e vender a 70 dólares, portanto mais barato e mais rápido.
Um atendimento diferencial é o que o LFC pretende proporcionar aos seus clientes, para tal o centro apostou na formação das suas funcionárias. Dicas de como vestir e como resolver conflitos entre clientes foram algumas das matérias abordadas durante a formação que decorreu no Bellas Bussiness Parks.
O empresário afirmou que pretende que a LFC seja o lugar que “todo mundo queira trabalhar”.
Alexandra Borges, gerente da loja, começou a orientar 18 funcionárias e hoje conta com 60 e há muitas mais que querem trabalhar no local. Os dias mais intensos são as quintas, sextas e sábados. Tendo anunciado estarem a ser cadastradas todas as clientes grossistas que efectuam compras na loja. Por este facto conseguiram estabelecer estatísticas que demonstram que 50% das clientes são grossistas e a outra parte retalhistas.
Arick Wierson é americano, formado em diplomacia, mas com um mestrado em economia no Brasil. Trabalhou em bancos de investimento no Brasil e nos Estados Unidos. Conheceu Michael Bloomblerg um dos homens mais ricos do mundo que o convidou para o apoiar na campanha da sua candidatura para presidente de Câmara de Nova Yorque, durante o 11 de Setembro. Bloombera ganhou a eleição e convidou Arick Wierson vice-presidente, ligado à comunicação e média. Por lá ficou por nove anos. Por isso teve contacto directo com os meios de comunicação social em especial a Globo que tinha sede internacional em Nova Yorque. O maior mercado deste canal, a seguir ao Brasil, é Angola.
“Foi através do presidente da Globo que vim pela primeira vez a Angola”, contou. Por ser americano, a viver em Angola e a falar português, pretende contribuir para criar pontes que permitam o surgimento de mais cooperação económica entre os EUA e Angola. No seu currículo conta com um vasto caminho empresarial. Na moda, foi modelo durante a altura em que fez o mestrado no Brasil. Nos EUA, tinha cinco canais sob sua responsabilidade dos quais um abordava exclusivamente moda. Agora prepara um programa televisivo ligado à moda que deverá ser exibido semanalmente.