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Equipa de ouro

O Embarcad’ouro

O Embarcad’ouro funciona numa moradia ampla, com parque de estacionamento, junto ao local onde se fretam os”candongueiros” para a ilha do Mussulo. Naquele espaço já havia um restaurante que não vingou. As obras de requalificação demoraram cerca de um ano. Valeu a pena esperar.

Um dos trunfos do Embarcadouro é o design de interiores, de inegável bom gosto, convidativo e acolhedor. A inauguração ocorreu no final de Novembro de 2008. “Desde então”, esclarece José António, um dos administradores do grupo Cosal, responsável pelos projectos turísticos, “temos vindo a solidificar a clientela”.

Os destinatários naturais são os moradores de Luanda Sul, zona onde há pessoas com poder de compra e com uma reduzida oferta de restauração de qualidade. “O restaurante está aberto todos os dias, recebendo mais clientes ao jantar, em particular, aos fins-de-semana. Um dos seus atractivos é o facto da cozinha fechar apenas às onze horas, o que permite jantares mais tardios. Aos almoços, durante a semana, funciona, sobretudo, como restaurante de negócios. É igualmente muito utilizado para festas de empresas, aniversários e casamentos. Foi aqui que se realizou, entre outros, o jantar de lançamento da TV Zimbo e do jornal A Bola”, afirma.

COZINHA DE FUSÃO

Outro ponto forte do Embarcad´ouro é a cozinha internacional de fusão. O chefe Sebastião Maia Mona tem uma larga experiência profissional. O tagliatelli com frutos da costa angolana e as tranches de garoupa com moluscos são duas especialidades que, segundo José António, “saem particularmente bem”. Outros pratos de peixe em destaque são a espetada de peixe com gambas, o bacalhau à lagareiro e o lombo de cherne com molho tropical. Nas carnes o prato mais popular é o magret de pato. Seguem-se as costeletinhas de borrego com molho de menta, o tornedó na grelha com pimenta rosa e o lombo à Embarcad´ouro. Nos mariscos pontificam as lagostas (na brasa ou ao alho) e as gambas.

Nas entradas destacam-se a salada de lagosta, queijo de cabra com ervas aromáticas e a cornucópia de tomate com queijo mozarella e ervas. Nas sobremesas não dá para resistir ao Embarcadouro de Sabores (pequenas doses de cinco sobremesas tais como mousse, leite creme, arroz doce ou baba de camelo).

Para José António um dos pontos mais valorizados pelos clientes é a carta de vinhos e champanhes de qualidade a preços acessíveis. Existe inclusivamente a possibilidade de se beber um vinho a copo.

ESPAÇO DE CHILL OUT

Um outro trunfo é o serviço. Existem dois turnos de pessoal. No total são 36 empregados. José António salienta que a rotação é baixa. “São pessoas motivadas, que recebem formação intensa e contínua, cujos salários estão acima da média”. José António que trabalha na hotelaria e restauração em Angola há onze anos, acredita que a aposta na formação é o principal factor que leva o pessoal a ficar na empresa e a resistir às ofertas de emprego da concorrência.

Para o futuro, José António quer transformar o agradável espaço exterior ao restaurante num bar que funcione de forma autónoma. “Será um espaço de chill out, onde os clientes podem vir beber um copo à noite, ou ao fim do dia, e terá um dj profissional uma vez por semana”, esclarece.

Um segundo projecto consiste em montar uma tenda climatizada para eventos com capacidade para 800 pessoas.

A ROÇA DAS MANGUEIRAS

Do Embarcad’ouro os clientes podem visitar outro espaço do grupo, o resort Roça das Mangueiras — que tem uma frota de barcos próprios que assegura o transporte dos clientes. Comprado há um ano e meio, a unidade turística tem um encanto muito especial. Prima pela limpeza, o serviço, a sobriedade da decoração, que o torna ideal para o descanso.

Devido à proximidade de Luanda, a Roça das Mangueiras tem sido muito utilizada para reuniões empresariais. Engloba um conjunto de casas térreas (de T1 e T3) com mobiliário simples, em madeira. No centro está um restaurante com classe e uma grande piscina de água salgada.

“Até agora procurámos apenas requalificar o que já existia. Daqui a dois meses o projecto vai entrar numa nova fase de crescimento”, diz.

Não é um investimento fácil de rentabilizar. “No Mussulo é preciso tratar de tudo. A estrutura logística é cara e pesada. Não há energia, nem água. É preciso geradores e construir estações de tratamento de água. Todos os alimentos vêm de Luanda. É preciso ter barcos para o transporte de passageiros e mercadorias. Por isso já houve tantos projectos turísticos no Mussulo que acabaram por fechar”, justifica, acrescentando: “queremos aumentar a taxa de ocupação. Por isso investimos na qualidade do restaurante — que oferece pratos típicos angolanos ao sábado e um buffet ao domingo — e vamos ter mais animação tal como uma fogueira à noite.

Outro objectivo é reduzir a sazonalidade promovendo, por exemplo, a utilização por parte dos clientes empresariais durante a semana”, afirma.

RESORT NO LUBANGO

Há outros dois projectos do grupo Cosal que ainda estão em construção. O mais ambicioso é o resort de luxo no Lubango, a inaugurar em 2010, onde pontifica o Hotel Pululuka (palavra que, em umbundo, significa “descanso”). “Cremos que será o primeiro grande projecto turístico angolano e uma grande mais valia para o turismo do país. Queremos aproveitar os turistas internos e externos, concorrendo com a oferta dos operadores turísticos para a Namíbia”.

O projecto é arrojado. Trata-se de uma reserva de animais, por onde passa um rio. Incluirá um restaurante e bar, piscina, lagos artificiais, zonas de descanso e as demais comodidades inerentes a um resort de luxo.

As habitações ecológicas assemelham-se a aldeias. Trata-se de casas rústicas ao estilo da região (kimbos). Existe ainda outro conjunto inspirado nas casas típicas da Ilha da Madeira, de onde vieram os primeiros emigrantes para o Lubango. Os animais, por seu turno, estão a ser transportados para a reserva de modo a repovoarem a propriedade. O objectivo é construir ali uma quinta pedagógica destinada aos mais novos.

O resort está há cerca de dois anos em construção. Neste momento já existem 60 bungalows construídos (no futuro serão 120). “Os trabalhadores estão a vedar o terreno, a limpar os campos, a construír os lagos e a plantar a flora”, diz José António que faz questão de sublinhar que “a mão-de-obra é local. Estamos a ter um enorme cuidado em inserir as comunidades no projecto e a manter os antigos locais de passagem.

Trata-se, segundo ele, de um unidade ecológica. “O arquitecto escolheu materiais locais dos quais se destacam as ardósias que têm a particularidade de ter várias cores. O restaurante também usará produtos da província dado que o Lubango é uma região fértil para a agricultura e a criação de animais”.

HOTEL DE CHARME na samba

Outro projecto em fase de conclusão, é o Hotel da Samba. “Não se trata de mais um hotel de luxo semelhante aqueles que as grandes cadeias estão a construir em Luanda. É um hotel de charme, com apenas 74 quartos, onde se dará especial atenção ao serviço, aos detalhes, ao tratamento personalizado e ao design”.

O projecto é da autoria do arquitecto Augusto Vasconcelos, responsável pelos outros projectos do grupo. “Assim o cliente vai aperceber-se de que existe uma linha de continuidade e uma coerência entre eles. Essa visão é patente nos vários logótipos do grupo que, embora distintos, obedecem a uma lógica de “família”.

O edifício, uma antiga estalagem, já pertencia ao grupo Cosal. A decisão de a recuperar e a transformar num hotel de design é mais emocional do que económica. “Sairia mais barato demolir o antigo edifício e construir de novo”, assegura.

ao leme DO embarca’douro

José António, nasceu no Porto (Portugal), onde estudou Hotelaria e Turismo. Estagiou no Hotel Palácio de Vidago e passou pela direcção de hotéis de prestígio tais como o Hotel Ipanema, no Porto; o Ritz e a Quinta Patino, em Lisboa.

Veio para Angola há onze anos. Foi convidado por Casimiro Quintas — actual proprietário do PIM’s e a sua grande referência profissional — para a abertura do Complexo Hoteleiro da Endiama, em Miramar.

“Na altura não tinha a mínima noção do tempo que iria ficar”, recorda. Acabou por permanecer onze anos, dez dos quais como director do complexo. “Foi uma grande aventura e uma experiência marcante. Fizemos eventos, casamentos, recepções a chefes de estado que ficaram na história de Angola. O mais importante é que criámos uma escola de formação de pessoal altamente qualificado”. Há um ano não resistiu ao convite do grupo Cosal. “Adoro desafios. A minha vocação é criar coisas novas”.


Embarcad’ouro

Embarcadouro, Luanda Sul

Tel.: 912 500 705


Roça das Mangueiras

Ilha do Mussulo

Tel.: 923 401 854

Jaime Fidalgo
2 de Julho de 2009
11:08
 
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